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terça-feira, 9 de setembro de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Pagar impostos em Portugal
A mensagem que nos aparece no quadro final da entrega do IRS on-line é um paradigma do nosso sistema fiscal.Não existe um obrigado ou qualquer referência simpática ao acto de cidadania. Não, a mensagem é um aviso "É bom que tenha dito a verdade porque nós vamos confirmar".
E vão confirmar "os rendimentos, retenções e benefícios fiscais", isto é aquilo em que nós possamos ter tido interesse (na perspectiva do Fisco) alterar para recebermos reembolsos ou pagar menos.
Apesar de curto o texto expressa uma atitude face ao contribuinte que, sendo entendível atendendo à fuga ao fisco existente, não transmite aquilo que deveria ser o mote do pagamento de impostos: a Confiança.
A confiança é um sentimento em que a reciprocidade é factor determinante: Eu confio em ti e tu confias em mim, eu desconfio de ti, tu desconfias de mim. Simples.
Ao tratar com desconfiança os contribuintes o sistema fiscal cria o sentimento recíproco, o contribuinte desconfia da máquina fiscal.
Nesta reciprocidade existe uma curiosa linha comum, a mentira. O fisco acha que o contribuinte mente nos números e este tem a ideia que o fisco/governo mente no destino que dá ao dinheiro.
Esta desconfiança mina o sistema numa lógica de bola de neve, eu minto porque tu mentiste, tu mentiste porque ele mentiu, etc.
A questão é saber quem iniciou a espiral. Terá sido o estado quando, durante 40 anos, açambarcava e não (re)distribuía? Ou foi o contribuinte na ganância de ter mais e mais?
Parece-me ser o primeiro caso, com a agravante de, desde o 25 Abril, não se ter conseguido transmitir uma outra ideia. O estado que constrói auto-estradas, hospitais e escolas, que garante um vasto conjunto de benefícios na saúde e na educação, continua distante de quem os usufrui.
O povo português que usa os hospitais e as escolas públicas, as maternidades e as Scut's, pede sempre um serviço melhor. Porque foi isso que (utópicamente) julga que lhe prometeram - uma sociedade tipo escandinavo, que a grande maioria desconhece mas idealiza como perfeita. O facto de nesses países se pagar bem mais impostos é outra conversa.
Sem uma abordagem diferente por parte do fisco, referindo, por exemplo, nos seus sites ,o que já pagamos com os nossos impostos no lugar de por a piscar avisos sobre atrasos e consultas de situação tributária, dificilmente deixaremos de ter a sensação de que estamos a entregar o nosso dinheiro a um estranho.
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Now playing: Dire Straits - Money For Nothing
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
A meio do túnel.
A uma semana das eleições no PSD, o caminho para sair do túnel não está, ainda, totalmente percorrido. Mas existem avanços.
Em primeiro lugar dois dos candidatos apresentam ideias e discutem-as. Quer Pedro Passos Coelho quer Manuela Ferreira Leite estão nesta contenda com um programa, mais liberal o de PPC mais social democrata o de MFL. Santana Lopes continua agarrado ao passado e à necessidade de demonstrar que se tivesse ficado no governo, se isto se aquilo, tudo seria diferente. Sinceramente é cansativo (então a questão do PPD/PSD é desesperante) porque não nos leva a lado nenhum. Parece-me claro que PSL perdeu as eleições não pelas ditas trapalhadas (o que Henrique Chaves disse, comparado com as afirmações de Campos e Cunha, é uma brincadeira de crianças, p.ex) mas porque, como o próprio já reconheceu, tendo falta de legitimidade nada lhe era perdoado e tudo potenciado. Mas, apesar de alguma injustiça, o problema é que PSL não sobe evitar a estigma de trapalhão e assim não atraia o eleitorado necessário à vitória em 2009.
PPC, pelo seu lado não me convence. Em termos políticos apresenta um discurso, na área económica, demasiado liberal, quer para dentro - somos um partido social-democrata - quer para fora - o país precisa de maiores preocupações sociais e menos "laissez faire laissez passer". Em termos não económicos creio que a posição sobre o "aborto" é paradigma das suas ideias. Mudou de opinião porque após o primeiro referendo nada se fez para resolver o problema. Mas na última década (o 1º referendo faz 10 anos em Junho) o Governo foi PS durante 8 anos e não era expectável que fosse legislar a favor daquilo que não defendia. É para lutarmos por aquilo que acreditamos que aqui andamos, e é para isso que espero ver o PSD de novo no governo.
MFL tem apresentado um projecto social-democrata, procurando equilibrios entre as preocupações sociais (que custam dinheiro) e os problemas económico-financeiros (que passam pela redução da despesa). Mas tem tido um problema, a forma de passar a mensagem. O melhor momento que lhe vi foi na SIC Notícias, e esta não chega a todo lado. As bases poderão ter falta de informação e isso pode ser fatal.
Finalmente uma nota de receio. Não são poucos os militantes que vejo a apoiarem X, Y ou Z, por razões meramente circunstaciais de interesse pessoal - se A está com X eu tenho que estar com Z para o poder derrotar depois, ou, pior, tenho que estar com Y porque senão B (que é quem manda no burgo) não me concede os apoios que necessito ou tira-me os que já tenho.
Este tipo de calculismo não só retira verdade aos resultados como compromete, por falta de seriedade e legitimidade, as candidaturas em 2009 (nacionais e locais).
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Now playing: Hoobastank - The Reason
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Em primeiro lugar dois dos candidatos apresentam ideias e discutem-as. Quer Pedro Passos Coelho quer Manuela Ferreira Leite estão nesta contenda com um programa, mais liberal o de PPC mais social democrata o de MFL. Santana Lopes continua agarrado ao passado e à necessidade de demonstrar que se tivesse ficado no governo, se isto se aquilo, tudo seria diferente. Sinceramente é cansativo (então a questão do PPD/PSD é desesperante) porque não nos leva a lado nenhum. Parece-me claro que PSL perdeu as eleições não pelas ditas trapalhadas (o que Henrique Chaves disse, comparado com as afirmações de Campos e Cunha, é uma brincadeira de crianças, p.ex) mas porque, como o próprio já reconheceu, tendo falta de legitimidade nada lhe era perdoado e tudo potenciado. Mas, apesar de alguma injustiça, o problema é que PSL não sobe evitar a estigma de trapalhão e assim não atraia o eleitorado necessário à vitória em 2009.
PPC, pelo seu lado não me convence. Em termos políticos apresenta um discurso, na área económica, demasiado liberal, quer para dentro - somos um partido social-democrata - quer para fora - o país precisa de maiores preocupações sociais e menos "laissez faire laissez passer". Em termos não económicos creio que a posição sobre o "aborto" é paradigma das suas ideias. Mudou de opinião porque após o primeiro referendo nada se fez para resolver o problema. Mas na última década (o 1º referendo faz 10 anos em Junho) o Governo foi PS durante 8 anos e não era expectável que fosse legislar a favor daquilo que não defendia. É para lutarmos por aquilo que acreditamos que aqui andamos, e é para isso que espero ver o PSD de novo no governo.
MFL tem apresentado um projecto social-democrata, procurando equilibrios entre as preocupações sociais (que custam dinheiro) e os problemas económico-financeiros (que passam pela redução da despesa). Mas tem tido um problema, a forma de passar a mensagem. O melhor momento que lhe vi foi na SIC Notícias, e esta não chega a todo lado. As bases poderão ter falta de informação e isso pode ser fatal.
Finalmente uma nota de receio. Não são poucos os militantes que vejo a apoiarem X, Y ou Z, por razões meramente circunstaciais de interesse pessoal - se A está com X eu tenho que estar com Z para o poder derrotar depois, ou, pior, tenho que estar com Y porque senão B (que é quem manda no burgo) não me concede os apoios que necessito ou tira-me os que já tenho.
Este tipo de calculismo não só retira verdade aos resultados como compromete, por falta de seriedade e legitimidade, as candidaturas em 2009 (nacionais e locais).
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Now playing: Hoobastank - The Reason
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
O Futuro (não é) já aqui ao lado.
O futuro é um lugar muito interessante. É lá que vamos passar o resto da nossa vida.
Contudo os nossos políticos continuam a olhar para o futuro de forma reaccionária, reagindo ao presente não medindo as consequências.
Esta forma reactiva ficou patente nestes últimos tempos em diversas áreas:
- Ao episódio do Carolina Michaelis responde-se com mudanças de escolas, desloca-se o problema mas não se ataca a raiz.
- No caso Esmeralda tenta-se mudar a Lei para o caso concreto e não para evitar recorrências.
- Na Energia estimulam-se alternativas pouco estudas e não se olha ao problema principal - o consumo.
- Nas Finanças o aumento não sustentado das receitas (a recuperação de créditos não é eterna) permite manter as despesas que nos comprometem o futuro.
Hoje o tema é um incidente numa esquadra da PSP em Odivelas que provoca reuniões, comentários e reacções que deixam de lado a questão fundamental sobre que tipo de Segurança queremos. Os mesmos que criticavam existirem poucos polícias na rua (após os crimes de Loures e Oeiras) querem hoje mais polícias nas esquadras. Amanhã será nos estádios, ou nas escolas, ou nas praias, conforme o que aconteça.
Noutra área, e perante o 14º aumento dos combustíveis, fala-se de cartelização e não do ISP e se este é, ou não, um instrumento de regulação do consumo (a ideia inicial) ou, tão só, um instrumento de politica financeira.
E esta política casuística que afasta a juventude da causa pública, e sem juventude não há futuro.
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Now playing: Diana Krall - Why Should I Care
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Contudo os nossos políticos continuam a olhar para o futuro de forma reaccionária, reagindo ao presente não medindo as consequências.
Esta forma reactiva ficou patente nestes últimos tempos em diversas áreas:
- Ao episódio do Carolina Michaelis responde-se com mudanças de escolas, desloca-se o problema mas não se ataca a raiz.
- No caso Esmeralda tenta-se mudar a Lei para o caso concreto e não para evitar recorrências.
- Na Energia estimulam-se alternativas pouco estudas e não se olha ao problema principal - o consumo.
- Nas Finanças o aumento não sustentado das receitas (a recuperação de créditos não é eterna) permite manter as despesas que nos comprometem o futuro.
Hoje o tema é um incidente numa esquadra da PSP em Odivelas que provoca reuniões, comentários e reacções que deixam de lado a questão fundamental sobre que tipo de Segurança queremos. Os mesmos que criticavam existirem poucos polícias na rua (após os crimes de Loures e Oeiras) querem hoje mais polícias nas esquadras. Amanhã será nos estádios, ou nas escolas, ou nas praias, conforme o que aconteça.
Noutra área, e perante o 14º aumento dos combustíveis, fala-se de cartelização e não do ISP e se este é, ou não, um instrumento de regulação do consumo (a ideia inicial) ou, tão só, um instrumento de politica financeira.
E esta política casuística que afasta a juventude da causa pública, e sem juventude não há futuro.
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Now playing: Diana Krall - Why Should I Care
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Uma Luz ao Fundo do Túnel
O aparecimento da Candidatura a Presidente do PSD de Manuela Ferreira Leite é uma luz ao fundo do túnel.
Um túnel para onde fomos enviados, é bom dizer, por Luís Marques Mendes.
Quando em Julho passado o PSD perdeu a Câmara de Lisboa Marques Mendes vez o impensável. Apresentou a demissão e, ao mesmo tempo, recandidatou-se. Com esta atitude incongruente (reconhecer que falhou e ao mesmo tempo querer continuar) abriu as portas a LFM.
Marques Mendes tinha ideias. Algumas excelentes, outras boas, outras nem por isso. O assumir de princípios que tornaram impossíveis as candidaturas, enquanto PSD's, de Isaltino e Valentim, mesmo que com isso se tenham perdido as câmaras de Oeiras e Gondomar, foram um sinal de rigor. A aplicação do mesmo princípio Lisboa foi lógico. O se demitir por isso é que não.
Em relação aos impostos, à educação e à saúde (se exceptuarmos aqui a questão das Maternidades) o tempo veio lhe dar razão.
O problema era, e será sempre, uma questão de imagem. O "ganda Noia" não podia ser 1º Ministro.
Mas Marques Mendes quis continuar no poder, e por isso marcou eleições em pleno Verão, impedindo o aparecimento de novas candidaturas, pelo que apenas Menezes que pouco antes tinha disputado com ele um congresso tinha as tropas organizadas. Apenas com duas, pouco credíveis, alternativas, as bases escolheram o que lhes parecia ser uma nova esperança. Foi por isso que votei em branco. LFM não era nem novo nem esperança, LMM tinha capitolado.
Neste cenário cedo se viu que LFM estava a prazo ( como o próprio reconhecia na afirmação que fiz referência no Post anterior).
Com a candidatura de MFL, dizia, vê-se uma Luz ao fundo do túnel. Mas para chegarmos à saída são necessárias mais "luzes".
É necessário que a equipa seja boa. Formada por Socias-Democratas convictos, capazes de afirmar a nossa ideologia (re)conquistando o espaço do centro e centro-esquerda que é nosso. Explicando claramente que o PS não faz essa política, mas sim uma casuística em que uns dias é liberal, outros socialista, outros nem eles nem ninguém percebe.
É necessário que a nível concelhio se procurem os melhores, sendo estes os que procuram o melhor para o país e não, apenas, para a sua "quinta". Neste aspecto Coimbra é um bom paradigma. Não adianta andar a fazer pactos para mantermos a Câmara se, não sendo o PSD governo, vemos depois os projectos todos parados (Pediátrico, Metro, Estação, acessibilidades, etc). Prefiro, porque tem sido nessas alturas que a cidade mais tem crescido, ter o PS na Câmara e conimbricences do PSD no Governo, que o inverso (obviamente o ideal era ter a Câmara e o Governo, mas nesta altura será pedir demais).
Por isso espero que Manuela Ferreira Leite além de ser uma Luz ao fundo do túnel, saiba sair do mesmo.
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Now playing: John Lennon - Imagine
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Um túnel para onde fomos enviados, é bom dizer, por Luís Marques Mendes.
Quando em Julho passado o PSD perdeu a Câmara de Lisboa Marques Mendes vez o impensável. Apresentou a demissão e, ao mesmo tempo, recandidatou-se. Com esta atitude incongruente (reconhecer que falhou e ao mesmo tempo querer continuar) abriu as portas a LFM.
Marques Mendes tinha ideias. Algumas excelentes, outras boas, outras nem por isso. O assumir de princípios que tornaram impossíveis as candidaturas, enquanto PSD's, de Isaltino e Valentim, mesmo que com isso se tenham perdido as câmaras de Oeiras e Gondomar, foram um sinal de rigor. A aplicação do mesmo princípio Lisboa foi lógico. O se demitir por isso é que não.
Em relação aos impostos, à educação e à saúde (se exceptuarmos aqui a questão das Maternidades) o tempo veio lhe dar razão.
O problema era, e será sempre, uma questão de imagem. O "ganda Noia" não podia ser 1º Ministro.
Mas Marques Mendes quis continuar no poder, e por isso marcou eleições em pleno Verão, impedindo o aparecimento de novas candidaturas, pelo que apenas Menezes que pouco antes tinha disputado com ele um congresso tinha as tropas organizadas. Apenas com duas, pouco credíveis, alternativas, as bases escolheram o que lhes parecia ser uma nova esperança. Foi por isso que votei em branco. LFM não era nem novo nem esperança, LMM tinha capitolado.
Neste cenário cedo se viu que LFM estava a prazo ( como o próprio reconhecia na afirmação que fiz referência no Post anterior).
Com a candidatura de MFL, dizia, vê-se uma Luz ao fundo do túnel. Mas para chegarmos à saída são necessárias mais "luzes".
É necessário que a equipa seja boa. Formada por Socias-Democratas convictos, capazes de afirmar a nossa ideologia (re)conquistando o espaço do centro e centro-esquerda que é nosso. Explicando claramente que o PS não faz essa política, mas sim uma casuística em que uns dias é liberal, outros socialista, outros nem eles nem ninguém percebe.
É necessário que a nível concelhio se procurem os melhores, sendo estes os que procuram o melhor para o país e não, apenas, para a sua "quinta". Neste aspecto Coimbra é um bom paradigma. Não adianta andar a fazer pactos para mantermos a Câmara se, não sendo o PSD governo, vemos depois os projectos todos parados (Pediátrico, Metro, Estação, acessibilidades, etc). Prefiro, porque tem sido nessas alturas que a cidade mais tem crescido, ter o PS na Câmara e conimbricences do PSD no Governo, que o inverso (obviamente o ideal era ter a Câmara e o Governo, mas nesta altura será pedir demais).
Por isso espero que Manuela Ferreira Leite além de ser uma Luz ao fundo do túnel, saiba sair do mesmo.
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Now playing: John Lennon - Imagine
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Laranja sobre Azul
"Defendo um partido distendido e aberto em que cada um deve dizer o que pensa. Um partido aberto, distendido, onde tudo se possa dizer - bom, e depois existe quem manda, quem lidera. Todos esses ruídos parasitas de fundo desaparecem quando a liderança se afirma. Se daqui a um ano existir esse ruído de fundo é porque eu não fui capaz de me afirmar".
Estas declarações de LF Menezes em Outubro passado, menos de um mês depois de ser eleito, eram premonitórias. Não foi necessário um ano. O ruído foi tanto que o reconhecimento da falha (na afirmação) teve que ser antecipado. Convocou primárias (pelo menos aparentemente e sem certezas se não será candidato).
Mas porquê todo este ruído? Qual a razão de toda esta contestação?
Já aqui referi alguns tiros no pé e a paupérrima "entourage" de LFM, mas existem mais.
- A negação do passado recente do partido referindo-se, no caso Somague, a "esse não é o meu PSD"
- A alteração do sistema de quotas e direito de voto que mereceu críticas de todos os ex-secretários gerais.
- O ataque a uma jornalista ligada ao PS com acusações e vocabulário completamente inadequadas.
- Proposta em zig-zag sobre impostos, modelo constitucional, justiça, etc, etc.
- O andar a reboque das agendas televisivas, falando sobre temas (muito) menores e esquecendo o essencial.
- A liderança parlamentar de PSL preocupada em vingar o tratamento injusto (ou não) a que foi sujeito - apenas nos últimos debates se virou para a crítica objectiva e com resultados bem simpáticos.
- A mudança da imagem, que não critico em absoluto, mas que foi feita na altura errada (poderia ser interessante no lançamento da campanha eleitoral).
- Os ataques aos ditos barões, como se estes não fossem militantes como os outros, que atingiram níveis persecutórios em relação a Capucho e Rui Rio.
- E sendo estes (Capucho e Rio) autarcas, anuncia que deverão ser as bases a escolher os candidatos mas, ao mesmo tempo, retira confiança a quem não o apoia.
Perante todo o ruído causado por estes e outros tristes episódios, quer dentro do PSD quer no exterior, parece pois natural a declaração de hoje de LFM.
Para mim, e para outros como eu, pouco mudou contudo.
É que desde de 16 de Julho (dia da convocação das anteriores primárias) que defendo a candidatura de JP Aguiar Branco. Candidatura que se tornou impossível à data por manifesta falta de tempo (Marques Mendes ao convocar as eleições para 2 meses depois, com Agosto pelo meio, tentou evitar um desaire, mas fechou a porta a novas candidaturas, pelo que só o anterior candidato LFM tinha estrutura montada).
Menezes, tal como Mendes, diz que falhou, mas, tal como Mendes, é bem capaz de se recandidatar.
Por isso a batalha é a mesma - conquistar o Partido para conquistar o País - com um discurso realista, pragmático e, sobretudo, social-democrata.
Lendo a entrevista de hoje à Visão, JPAB confirma ter estes ideais bem definidos.
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Now playing: Bob Dylan - Blowin' in the Wind
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Estas declarações de LF Menezes em Outubro passado, menos de um mês depois de ser eleito, eram premonitórias. Não foi necessário um ano. O ruído foi tanto que o reconhecimento da falha (na afirmação) teve que ser antecipado. Convocou primárias (pelo menos aparentemente e sem certezas se não será candidato).
Mas porquê todo este ruído? Qual a razão de toda esta contestação?
Já aqui referi alguns tiros no pé e a paupérrima "entourage" de LFM, mas existem mais.
- A negação do passado recente do partido referindo-se, no caso Somague, a "esse não é o meu PSD"
- A alteração do sistema de quotas e direito de voto que mereceu críticas de todos os ex-secretários gerais.
- O ataque a uma jornalista ligada ao PS com acusações e vocabulário completamente inadequadas.
- Proposta em zig-zag sobre impostos, modelo constitucional, justiça, etc, etc.
- O andar a reboque das agendas televisivas, falando sobre temas (muito) menores e esquecendo o essencial.
- A liderança parlamentar de PSL preocupada em vingar o tratamento injusto (ou não) a que foi sujeito - apenas nos últimos debates se virou para a crítica objectiva e com resultados bem simpáticos.
- A mudança da imagem, que não critico em absoluto, mas que foi feita na altura errada (poderia ser interessante no lançamento da campanha eleitoral).
- Os ataques aos ditos barões, como se estes não fossem militantes como os outros, que atingiram níveis persecutórios em relação a Capucho e Rui Rio.
- E sendo estes (Capucho e Rio) autarcas, anuncia que deverão ser as bases a escolher os candidatos mas, ao mesmo tempo, retira confiança a quem não o apoia.
Perante todo o ruído causado por estes e outros tristes episódios, quer dentro do PSD quer no exterior, parece pois natural a declaração de hoje de LFM.
Para mim, e para outros como eu, pouco mudou contudo.
É que desde de 16 de Julho (dia da convocação das anteriores primárias) que defendo a candidatura de JP Aguiar Branco. Candidatura que se tornou impossível à data por manifesta falta de tempo (Marques Mendes ao convocar as eleições para 2 meses depois, com Agosto pelo meio, tentou evitar um desaire, mas fechou a porta a novas candidaturas, pelo que só o anterior candidato LFM tinha estrutura montada).
Menezes, tal como Mendes, diz que falhou, mas, tal como Mendes, é bem capaz de se recandidatar.
Por isso a batalha é a mesma - conquistar o Partido para conquistar o País - com um discurso realista, pragmático e, sobretudo, social-democrata.
Lendo a entrevista de hoje à Visão, JPAB confirma ter estes ideais bem definidos.
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terça-feira, 8 de abril de 2008
2CV - 60º Aniversário

0 2cv Club de Cassis volta a convidar-nos a todos para um simpático encontro. Espero conseguir participar. Já tenho saudades destes encontros.
Até lá...
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Now playing: Jacques Brel - Ne Me Quitte Pas (Don't Leave Me)
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sábado, 5 de abril de 2008
Porque sou Portista
Somos Campeões. E digo somos porque eu Sou Portista.
Sou Portista porque numa tarde de 1977 fui ver um Porto-Manchester que o Porto ganhou por 4-0 e (re)descobri futebol espectáculo.
Sou Portista porque o treinador da altura, José Maria Pedroto, era um homem notável.
Sou Portista porque depois dessa vitória o Porto habituou-me a muitas vitórias e bom futebol.
Sou Portista porque o Porto foi o símbolo de uma descentralização pós-25 Abril.
Sou Portista porque em 1987 vivi em Viena o mais belo momento da minha vida enquanto espectador desportivo.
Sou Portista porque nesse ano Artur Jorge demonstrou que era possível ser se treinador de futebol e ser culto.
Sou Portista porque ao longo dos anos foi um prazer ver Futre, Gomes, Madger, Séninho, Couto, Quarema, Kostadinov, Jardel, Oliveira, Jaime Pacheco, etc, etc, etc...
Sou Portista porque existe uma lógica de trabalho e organização que dá resultados.
Sou Portista e isso dá-me muito prazer.
Sou Portista porque numa tarde de 1977 fui ver um Porto-Manchester que o Porto ganhou por 4-0 e (re)descobri futebol espectáculo.
Sou Portista porque o treinador da altura, José Maria Pedroto, era um homem notável.
Sou Portista porque depois dessa vitória o Porto habituou-me a muitas vitórias e bom futebol.
Sou Portista porque o Porto foi o símbolo de uma descentralização pós-25 Abril.
Sou Portista porque em 1987 vivi em Viena o mais belo momento da minha vida enquanto espectador desportivo.
Sou Portista porque nesse ano Artur Jorge demonstrou que era possível ser se treinador de futebol e ser culto.
Sou Portista porque ao longo dos anos foi um prazer ver Futre, Gomes, Madger, Séninho, Couto, Quarema, Kostadinov, Jardel, Oliveira, Jaime Pacheco, etc, etc, etc...
Sou Portista porque existe uma lógica de trabalho e organização que dá resultados.
Sou Portista e isso dá-me muito prazer.
2CV renasce - 60 Anos Depois

A Auto-Hoje apresenta aquilo que poderia ser o renascimento do nosso querido 2CV. Num momento em que os meus dois (quatro cavalos portanto) estão no estaleiro e as peças começam a rarear, dava jeito.
Depois da VW, da FIAT e da BMW fazerem versões séc. XXI do Carocha, do 500 e do Mini, que melhor maneira da Citroen comemorar o 60º aniversário do 2CV.
Depois da VW, da FIAT e da BMW fazerem versões séc. XXI do Carocha, do 500 e do Mini, que melhor maneira da Citroen comemorar o 60º aniversário do 2CV.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
O Respeito pela Lei.
O caso Esmeralda teve hoje mais um triste episódio. No dia marcado para o encontro com o pai biológico a criança não saiu do carro e, por isso, não houve visita.
Este caso é feito de episódios estranhos:
Em Fevereio de 2002 nasce uma criança que não é, à data do registo, perfilhada. Por esse facto é aberto um processo de averiguação oficiosa de paternidade. É a 1ª acção do sistema judicial.
Em Maio a criança é entregue, voluntariamente, pela mãe biológica, a um casal para que este cuide dela.
Neste ponto levanta-se um problema legal, que ao contrario do primeiro, não motiva nenhuma intervenção do sistema judicial (que aliás o desconhece durante muito tempo). Mas este momento é particularmente grave. Alguém que mora na Sertã tem conhecimento que existe um casal no Entroncamento que quer uma criança ou vice-versa, um casal sabe que existe uma criança, numa cidade a 70 km de distância, que lhes permite realizar um sonho, ter um filho. Aparentemente teria existido um intermediário. Se houve será um traficante de menores. Usei um eufemismo em relação aos desejos do casal porque não posso dizer que se tratava de um casal que queria adoptar uma criança, pois, como é sabido, o processo de adopção só entrou nos serviços competentes após o pai ter assumido a paternidade. Temos pois aqui a 1º ilegalidade, muito grave e, que se saiba, não foi investigada ou julgada.
Em Julho o pretenso Pai é inquirido no âmbito do processo de paternidade e afirma que se estes forem positivos assume a mesma. Chamado a fazer os testes, em Outubro, voluntariamente ou acompanhado pela GNR, comparece no INML para os fazer. Neste aspecto cumpre a Lei, sendo que, eventualmente, se lhe pode assacar um comportamento ético censurável ao não ter assumido voluntariamente a paternidade.
Em Fevereiro do ano seguinte saem os resultados (positivos) e, quase ao mesmo tempo, entra o pedido de adopção (pelo Casal) o pedido de regulação do poder paternal (pelo Pai).
Ano e meio depois (Julho de 2004) a decisão é a da entrega da criança ao Pai Biológico. É esta decisão que ainda está por cumprir.
Está por cumprir porque a partir desta data o casal Gomes inicia um processo de fuga para frente, recheado de ilegalidades, e que os tribunais têm vindo a sancionar. Três anos e meio depois não cumpriram a sentença determinada pelo tribunal. Foram acusados de sequestro, o Sargento Gomes condenado por esse crime, a mulher aguarda o julgamento na perspectiva de uma sentença igual. Durante dois anos e meio tiveram completo controlo sobre a criança só o partilhando quando, em Janeiro de 2007 o tribunal propõem a guarda provisória da criança a troco da indicação onde esta se encontra. Conjuntamente é suspensa a pena de prisão do sargento Gomes para que este possa, com a esposa exercer a referida guarda.
Este caso é feito de episódios estranhos:
Em Fevereio de 2002 nasce uma criança que não é, à data do registo, perfilhada. Por esse facto é aberto um processo de averiguação oficiosa de paternidade. É a 1ª acção do sistema judicial.
Em Maio a criança é entregue, voluntariamente, pela mãe biológica, a um casal para que este cuide dela.
Neste ponto levanta-se um problema legal, que ao contrario do primeiro, não motiva nenhuma intervenção do sistema judicial (que aliás o desconhece durante muito tempo). Mas este momento é particularmente grave. Alguém que mora na Sertã tem conhecimento que existe um casal no Entroncamento que quer uma criança ou vice-versa, um casal sabe que existe uma criança, numa cidade a 70 km de distância, que lhes permite realizar um sonho, ter um filho. Aparentemente teria existido um intermediário. Se houve será um traficante de menores. Usei um eufemismo em relação aos desejos do casal porque não posso dizer que se tratava de um casal que queria adoptar uma criança, pois, como é sabido, o processo de adopção só entrou nos serviços competentes após o pai ter assumido a paternidade. Temos pois aqui a 1º ilegalidade, muito grave e, que se saiba, não foi investigada ou julgada.
Em Julho o pretenso Pai é inquirido no âmbito do processo de paternidade e afirma que se estes forem positivos assume a mesma. Chamado a fazer os testes, em Outubro, voluntariamente ou acompanhado pela GNR, comparece no INML para os fazer. Neste aspecto cumpre a Lei, sendo que, eventualmente, se lhe pode assacar um comportamento ético censurável ao não ter assumido voluntariamente a paternidade.
Em Fevereiro do ano seguinte saem os resultados (positivos) e, quase ao mesmo tempo, entra o pedido de adopção (pelo Casal) o pedido de regulação do poder paternal (pelo Pai).
Ano e meio depois (Julho de 2004) a decisão é a da entrega da criança ao Pai Biológico. É esta decisão que ainda está por cumprir.
Está por cumprir porque a partir desta data o casal Gomes inicia um processo de fuga para frente, recheado de ilegalidades, e que os tribunais têm vindo a sancionar. Três anos e meio depois não cumpriram a sentença determinada pelo tribunal. Foram acusados de sequestro, o Sargento Gomes condenado por esse crime, a mulher aguarda o julgamento na perspectiva de uma sentença igual. Durante dois anos e meio tiveram completo controlo sobre a criança só o partilhando quando, em Janeiro de 2007 o tribunal propõem a guarda provisória da criança a troco da indicação onde esta se encontra. Conjuntamente é suspensa a pena de prisão do sargento Gomes para que este possa, com a esposa exercer a referida guarda.
De Janeiro de 2007 até hoje diversas vezes se ouviram, da parte do sargento, comentários negativos às decisões do tribunal e tentativas de protelar a entrega.
Hoje os supostos Pais afectivos não conseguem que uma criança de seis anos cumpra o que lhes foi determinado pelo tribunal. É fácil perceber porquê.
Hoje os supostos Pais afectivos não conseguem que uma criança de seis anos cumpra o que lhes foi determinado pelo tribunal. É fácil perceber porquê.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Metro a Metro, Centimetro a Centimetro ou as diferenças entre o Porto e Coimbra
Enquanto em Coimbra se discute se o Metro deve ao não passar em determinada rua, no Porto discutem-se novas pontes. Lendo o gratuito "Sexta" de 28 Março, e recordando a discussão na blogosfera Coimbrã sobre o novo trajecto na Solum, chegamos à conclusão que não vivemos (os Portuenses e os Conimbricences) no mesmo mundo.
Antes de olhar para as expansões em análise no Porto é bom recordar um pequena notícia com 6 meses.
"Dinamismo do metro do Porto compensa quebra em Lisboa no total de passageiros transportados até Junho
O total de passageiros transportados nos metropolitanos de Lisboa e Porto aumentou 2,8 por cento no primeiro semestre face ao mesmo período de 2006, com o dinamismo do metro portuense a compensar a quebra na capital.
Segundo os dados da actividade dos transportes hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de Janeiro a Junho os metropolitanos de Lisboa e Porto transportaram 115,7 milhões de passageiros, com o movimento no metro da capital a cair 3,2 por cento (para 91,2 milhões de passageiros) e o do Porto a crescer 33,7 por cento (para 24,5 milhões de passageiros).
(Lusa 4-09-07)"
É por esta e outras razões que o Metro do Porto pode pensar nestas expansões.

Recordo que o principio base do Metro do Porto é o mesmo do Metro Mondego: Recuperar um linha ferroviária suburbana e juntar-lhe um troço urbano. À Escala a Linha da Lousã corresponde às linhas da Póvoa e da Trofa, a Linha S. João - St. Ovideo à linha Baixa - HUC. a linha azul (Dragão - Sr. Matosinhos) é um extra que o Porto tem devido exactamente à dimensão do Projecto. No Porto por razões muito específicas (ruas muito estreitas e o Edifício da Câmara) foi necessário fazer um túnel de Salgueiros a S. Bento, em Coimbra serão as pendentes a obrigar à existência de um túnel aqui em Celas (mas não é necessário usar um tuneladora visto ser feito sob as ruas, pelo que será em Cut & Cover - escavar e cobrir como foi feito nas Avenidas Novas em Lisboa e na Cidade Universitária no Porto).
Quem leu o comunicado do protesto dos moradores da Solum e os comentários na Blogosfera pensa se estas realidades são conhecidas dos Conimbricenses. Convido-vos a ler as razões do Protesto e os comentários nas assinaturas. Quase nenhuma razão é valida (aliás nenhuma razão é válida existindo apenas pontos que merecem reflexão), e os comentários chegam a ser delirantes:
" Vai destruir o jardim 25 de Abril (da fonte em frente ao estádio) e o pequeno quadrado do Girasolum" - o projecto contempla um Jardim na praça 25 de Abril que efectivamente é, actualmente, só ruas e passeios...
"A alteração correspondente não se justifica face ao número irrisório de eventuais passageiros que irão utilizar o acesso às várias escolas e ao Centro Comercial" - Ir de Metro para o D. Maria, Escola Superior de Educação e Avelar Brotero? Jamais!. Efectivamente não conhecem o número de utentes que o Metro do Porto captou...
"Frequento o ginásio Holmes Places. Aqui entram diariamente dezenas de pessoas, que também serão afectadas" - Dezenas?! Afectadas?! Que tal perguntar ao Holmes Place se ele quer o Metro à sua porta. Vai na volta serão centenas os beneficiados.
"Como utente da Escola Primária João de Deus, interrogo-me se nem com a mensalidade que pagamos podemos ficar sossegados nos nossos empregos" - sem comentários...
"Canalizem o dinheiro para reforçarem o Parque de Transportes Públicos Ecológicos" (tirei o Caps Lock por que é má educação berrar) - Mas será que o Metro não é ecológico? Os números no Porto falam de dezenas de milhões de euros de ganhos ambientais. 63 milhões para ser mais exacto.
Neste último ponto está uma das questões curiosas deste debate. É dito e redito que os Troleis são ecológicos. É verdade, porque têm motores eléctricos. E o Metro? upps, também. Mas se os troleis fazem o que o Metro não faz (subidas com pendentes superiores a 8%) e o Metro faz os que os Troleis não fazem (ter canal dedicado e por isso não perder tempo em engarrafamentos) porque não juntar os dois. Basta pensar nos Olivais, Alto de Santa Clara e, naturalmente a Universidade. Mas o pitoresco deste debate é quando se defendem os Troleis salientando que somos a única cidade da península que os tem, e uma das críticas ao Metro é que poucas cidades optaram por ele (li um comentário em que se perguntava se nos considerávamos mais inteligentes que os outros - como Lisboa, Londres, Paris ou Moscovo - que tinham optado por Metro subterrâneo). Por um lado devemos estar orgulhosos das nossas diferenças por outro devemos ser seguidistas.
Perante estes cenários, recordo, o Metro do Porto estuda novas expansões, incluindo uma nova ponte sobre o Douro. Coimbra continua a discutir 300 metros junto a umas escolas que, como é referido pelos próprios pais, têm movimento duas vezes por dia!
Já agora é bom recordar que em Matosinhos o traçado foi alterado, já com a obra em andamento. Muito criticados pelos custos das inserções urbanas, derivados destas e de outras alterações, os autarcas das AMP e o presidente da Metro do Porto respondem com evidências. "Vão a Dublin e vejam as consequências, para a segurança da circulação, de não o fazer".
Não existe pois razão para não avançar com o projecto, no ponto em que está, à espera da solução perfeita, como também não era razão não avançar em 2005 porque não se ia a Serpins. O programa apresentado em Março de 2006, apesar de muitas lacunas, é o que temos e é com ele que devemos avançar. Sob pena de o Governo eternizar a fase 2 (a fase 1 lá se vai fazendo devagar devagarinho). E aquela, como referiu o presidente da Câmara, é fundamental porque só ela garante a electrificação.
Definitivamente não é (só) no futebol que a diferença entre o Porto e Coimbra é enorme. É (sobretudo) nas mentalidades.
Antes de olhar para as expansões em análise no Porto é bom recordar um pequena notícia com 6 meses.
"Dinamismo do metro do Porto compensa quebra em Lisboa no total de passageiros transportados até Junho
O total de passageiros transportados nos metropolitanos de Lisboa e Porto aumentou 2,8 por cento no primeiro semestre face ao mesmo período de 2006, com o dinamismo do metro portuense a compensar a quebra na capital.
Segundo os dados da actividade dos transportes hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de Janeiro a Junho os metropolitanos de Lisboa e Porto transportaram 115,7 milhões de passageiros, com o movimento no metro da capital a cair 3,2 por cento (para 91,2 milhões de passageiros) e o do Porto a crescer 33,7 por cento (para 24,5 milhões de passageiros).
(Lusa 4-09-07)"
É por esta e outras razões que o Metro do Porto pode pensar nestas expansões.

Recordo que o principio base do Metro do Porto é o mesmo do Metro Mondego: Recuperar um linha ferroviária suburbana e juntar-lhe um troço urbano. À Escala a Linha da Lousã corresponde às linhas da Póvoa e da Trofa, a Linha S. João - St. Ovideo à linha Baixa - HUC. a linha azul (Dragão - Sr. Matosinhos) é um extra que o Porto tem devido exactamente à dimensão do Projecto. No Porto por razões muito específicas (ruas muito estreitas e o Edifício da Câmara) foi necessário fazer um túnel de Salgueiros a S. Bento, em Coimbra serão as pendentes a obrigar à existência de um túnel aqui em Celas (mas não é necessário usar um tuneladora visto ser feito sob as ruas, pelo que será em Cut & Cover - escavar e cobrir como foi feito nas Avenidas Novas em Lisboa e na Cidade Universitária no Porto).
Quem leu o comunicado do protesto dos moradores da Solum e os comentários na Blogosfera pensa se estas realidades são conhecidas dos Conimbricenses. Convido-vos a ler as razões do Protesto e os comentários nas assinaturas. Quase nenhuma razão é valida (aliás nenhuma razão é válida existindo apenas pontos que merecem reflexão), e os comentários chegam a ser delirantes:
" Vai destruir o jardim 25 de Abril (da fonte em frente ao estádio) e o pequeno quadrado do Girasolum" - o projecto contempla um Jardim na praça 25 de Abril que efectivamente é, actualmente, só ruas e passeios...
"A alteração correspondente não se justifica face ao número irrisório de eventuais passageiros que irão utilizar o acesso às várias escolas e ao Centro Comercial" - Ir de Metro para o D. Maria, Escola Superior de Educação e Avelar Brotero? Jamais!. Efectivamente não conhecem o número de utentes que o Metro do Porto captou...
"Frequento o ginásio Holmes Places. Aqui entram diariamente dezenas de pessoas, que também serão afectadas" - Dezenas?! Afectadas?! Que tal perguntar ao Holmes Place se ele quer o Metro à sua porta. Vai na volta serão centenas os beneficiados.
"Como utente da Escola Primária João de Deus, interrogo-me se nem com a mensalidade que pagamos podemos ficar sossegados nos nossos empregos" - sem comentários...
"Canalizem o dinheiro para reforçarem o Parque de Transportes Públicos Ecológicos" (tirei o Caps Lock por que é má educação berrar) - Mas será que o Metro não é ecológico? Os números no Porto falam de dezenas de milhões de euros de ganhos ambientais. 63 milhões para ser mais exacto.
Neste último ponto está uma das questões curiosas deste debate. É dito e redito que os Troleis são ecológicos. É verdade, porque têm motores eléctricos. E o Metro? upps, também. Mas se os troleis fazem o que o Metro não faz (subidas com pendentes superiores a 8%) e o Metro faz os que os Troleis não fazem (ter canal dedicado e por isso não perder tempo em engarrafamentos) porque não juntar os dois. Basta pensar nos Olivais, Alto de Santa Clara e, naturalmente a Universidade. Mas o pitoresco deste debate é quando se defendem os Troleis salientando que somos a única cidade da península que os tem, e uma das críticas ao Metro é que poucas cidades optaram por ele (li um comentário em que se perguntava se nos considerávamos mais inteligentes que os outros - como Lisboa, Londres, Paris ou Moscovo - que tinham optado por Metro subterrâneo). Por um lado devemos estar orgulhosos das nossas diferenças por outro devemos ser seguidistas.
Perante estes cenários, recordo, o Metro do Porto estuda novas expansões, incluindo uma nova ponte sobre o Douro. Coimbra continua a discutir 300 metros junto a umas escolas que, como é referido pelos próprios pais, têm movimento duas vezes por dia!
Já agora é bom recordar que em Matosinhos o traçado foi alterado, já com a obra em andamento. Muito criticados pelos custos das inserções urbanas, derivados destas e de outras alterações, os autarcas das AMP e o presidente da Metro do Porto respondem com evidências. "Vão a Dublin e vejam as consequências, para a segurança da circulação, de não o fazer".
Não existe pois razão para não avançar com o projecto, no ponto em que está, à espera da solução perfeita, como também não era razão não avançar em 2005 porque não se ia a Serpins. O programa apresentado em Março de 2006, apesar de muitas lacunas, é o que temos e é com ele que devemos avançar. Sob pena de o Governo eternizar a fase 2 (a fase 1 lá se vai fazendo devagar devagarinho). E aquela, como referiu o presidente da Câmara, é fundamental porque só ela garante a electrificação.
Definitivamente não é (só) no futebol que a diferença entre o Porto e Coimbra é enorme. É (sobretudo) nas mentalidades.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Será que acabou...
Em menos dias dos que levou a ser apresentada a queixa, a escola decidiu. Tal como tinha escrito aqui, a aluna (e o realizador amador) vai continuar a ser aluna noutra escola e a professora a dar aulas, já na próxima 2ª feira. Como referi o problema não é resolvido, apenas "transferido". Mas, independentemente do tipo de actuação este é sempre um problema sem solução fácil. As penas agora propostas não impedem que volte acontecer o mesmo, porque não atacam as causas. E atacar as causas não caberá à Escola mas a todo nós (enquanto comunidade escolar). Aguardemos a posição da DREN (se bem que as anteriores não tenham sido brilhantes), aguardemos que o MP mude de ideias e não avance com o ridículo inquérito, aguardemos que este não seja o final de um incidente que nos obriga a pensar de forma abrangente.
P.S. - "a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música"?!? Será que era uma aula de subtituição, com as quais os professores não concordam, e estavam só a passar o tempo? Mais uma vez parece que este caso é muito mais transvessal do que cada coorperação (governo, pais, alunos professores e escolas) querem fazer passar.
P.S. - "a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música"?!? Será que era uma aula de subtituição, com as quais os professores não concordam, e estavam só a passar o tempo? Mais uma vez parece que este caso é muito mais transvessal do que cada coorperação (governo, pais, alunos professores e escolas) querem fazer passar.
terça-feira, 25 de março de 2008
Curtas
No público de hoje:
Questionada sobre se as escolas estavam em condições de preparar o final do ano lectivo, fazer os exames e realizar a avaliação dos professores, a ministra relembrou que são "muito poucos" os docentes que precisam de ser avaliados este ano lectivo.
"São apenas os contratados e os que estão para progredir na carreira. Em média, são um ou dois por escola. É uma carga de trabalho perfeitamente aceitável", sublinhou.
Se são muito poucos, porquê tanta pressa?
Se não são muito poucos, porquê mentir?
Se são exteriores, quem abriu a porta?
Se a escola tem mecanismos porque não os usou/usa?
Mas o que é que o ordenado tem a ver com o ser o melhor local de trabalho. O trabalho de Mineiro até podia ser o mais bem pago do mundo que dificilmente alguém o ia eleger as Minas da Panasqueira como Melhor Empresa Portuguesa. Lá estamos nós, na televisão pública, a fazer apanágio daquilo que foi a luta sindical nestes 30 anos. Melhores salários, melhores salários que as condições de trabalho são pormenores.
Questionada sobre se as escolas estavam em condições de preparar o final do ano lectivo, fazer os exames e realizar a avaliação dos professores, a ministra relembrou que são "muito poucos" os docentes que precisam de ser avaliados este ano lectivo.
"São apenas os contratados e os que estão para progredir na carreira. Em média, são um ou dois por escola. É uma carga de trabalho perfeitamente aceitável", sublinhou.
Se são muito poucos, porquê tanta pressa?
Se não são muito poucos, porquê mentir?
...
Também no público:O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas.
Se são exteriores, quem abriu a porta?
Se a escola tem mecanismos porque não os usou/usa?
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O PSD continua no seu melhor.Em conferência de imprensa, na sede do PSD, em Lisboa, Luís Filipe Menezes declarou: "Nós vimos um modelo completamente inovador para acabar com uma querela que há anos existe na sociedade portuguesa. Falo dos horários do comércio e da sua regulamentação". "Propomos que a definição dos horários e do funcionamento das actividades comerciais seja transferida para competência municipal. Cada município, cada cidade deve decidir por si quais as regras do jogo", acrescentou.
É cada um por si e todos pelas Câmaras, LFM ainda é, e actua como tal, presidente de uma câmara e que maior prazer poderia ter que não fosse uma estimulante competitividade com o Porto (onde os Hipermercados têm, p.ex., parque pago, ao contrario dos de Matosinhos, Maia, Gondomar e ... Gaia). E já agora "nós vimos"? Estará com visões?
...
Serviço público na RTP ?Microsoft é a melhor empresa para se trabalhar
A Microsoft ganhou os dois rankings deste ano que elegem a melhor empresa portuguesa para se trabalhar.
A jornalista Ana Martins foi saber por que razão foi escolhida uma empresa que não é sequer a que paga os melhores ordenados.
A Microsoft ganhou os dois rankings deste ano que elegem a melhor empresa portuguesa para se trabalhar.
A jornalista Ana Martins foi saber por que razão foi escolhida uma empresa que não é sequer a que paga os melhores ordenados.
Mas o que é que o ordenado tem a ver com o ser o melhor local de trabalho. O trabalho de Mineiro até podia ser o mais bem pago do mundo que dificilmente alguém o ia eleger as Minas da Panasqueira como Melhor Empresa Portuguesa. Lá estamos nós, na televisão pública, a fazer apanágio daquilo que foi a luta sindical nestes 30 anos. Melhores salários, melhores salários que as condições de trabalho são pormenores.
Educação e Civismo
O Vídeo de um incidente numa aula no Porto, envolvendo uma aluna uma professora e um telemóvel, tem originado múltiplos comentários. Aqui fica mais um.
Antes da minha opinião gostaria de falar dos muitos comentários, sobretudo nos jornais on-line. Culpou-se o governo/Ministra , os pais, os alunos, os professores e a escola. Infelizmente o PSD foi atrás da 1ª hipótese, o Governo de nenhuma delas (a culpa é, como se sabe, solteira, quer em vida quer na morte). Pessoalmente acho que é da falta de Civismo.
Não é do governo, pois estes incidentes já aconteciam antes desta Ministra e vão voltar a acontecer. Não há lei que altere esta situação específica nem outras situações de violência que se conhecem.
Não é dos pais, porque por muito que façamos em termos da educação dos nossos filhos, e neste aspecto creio que tenho feito tudo o que posso, nunca poderemos garantir que eles não façam asneiras. E ver irmãos a terem comportamentos tão diferentes é testemunho diário disso mesmo.
Não é da aluna, porque aquele comportamento só pode ser resultado de múltiplos factores e não apenas de um (mau) "humor".
Não é dos professores, que não têm meios para enfrentar este tipo de situações.
Não é da escola, porque esta é apenas um peça do puzzle da educação e, tal como os anteriores agentes, não podem resolver nada sozinhos.
Mas não sendo de nenhum em particular é de todos, E sendo de todos é do País.
O Governo criou um ambiente de guerrilha na educação. Acusou os professores de absentismo, logo no início da legislatura, e de falta de profissionalismo, para justificar algumas medidas. Acusou os alunos de laxismo para justificar outras.
Os pais são, esses sim, “ausentes” militantes, participando muito pouco na vida da escola (nos últimos três anos fui representante dos pais e o máximo que consegui foi reunir 3 pais, numa turma de 15 alunos, nas 9 reuniões que já convoquei).
Os alunos encaram, na sua maioria, a escola como uma obrigação (o que até certo ponto é verdade) e não vêem interesse na maioria das disciplinas.
Os professores manifestam-se quando as alterações legais interferem nos seus salários, independentemente da justeza de algumas das suas reenvidicações, e esquecem-se que também são pais e cidadãos e pouco opinam sobre o estatuto do aluno ou o fecho das escolas entre outros temas que, relacionados com a educação, influenciam o ambiente na escola.
Esta não consegue se posicionar no sistema educativo, com direcções compostas maioritariamente por professores, defendendo causas de classe. Basta pensar o modo como as aulas de substituição foram tratadas, focalizando-se as críticas (negativas) na falta de disponibilidade dos professores, de espaços, etc, e esquecendo as vantagens ou procurando aproveitar esses períodos para, por exemplo, estabelecer pontes de comunicação com os alunos.
Perante este cenário de culpas e desculpas podemos pensar que a solução passa por todos estes agentes ou por nenhum.
Não ouvi nem li nenhuma opinião que, de forma eficaz, apresentasse uma solução legislativa para o problema. Como bem disse a Ministra, o Código da Estrada não impede os acidentes. Nem o da Estrada nem nenhum outro. Os acidentes evitam-se com maior civismo. E se o Civismo não é estabelecido por decreto é sempre possível fazer mais para o promover.
Os pais, como já referi, sendo os principais actores da educação dos seus filhos, estão sempre presos à sua própria educação e à da sociedade em que vivem. E nestas falta muito civismo. Mas se não forem os pais a reconhecer a sua falta de civismo (patente diariamente no modo como conduzimos) ninguém o pode fazer por eles.
Os alunos têm que perceber que além de direitos também têm deveres, mas esta realidade é uma das bases do civismo que não conhecem.
Os professores devem analisar a sua vocação e reconhecer que muitos o são porque não tiveram outra saída. E sendo esta a única saída, profissionalizarem-se. É uma questão de civismo.
As escolas também se devem profissionalizar. Um bom professor não é obrigatoriamente um bom gestor. Tal como foi feito há anos atrás com os hospitais a existência de gestores escolares não será má ideia de todo. (a 1º vez que a ouvi foi a Marques Mendes numa conferência aqui em Coimbra).
Muito passa, pois, pelo civismo. E se este não se decreta. É algo que se adquire ao longo de uma vida e se vai transmitindo. Como é que um pai que fala no carro ao telemóvel sem kit mãos livres, alegando, no seu carro de 30 000 €, que são caros, pode dizer aos filhos para não usarem o seu (tlm) onde não devem? E estes que na televisão vêem os seus ídolos a usar os telemóveis e a insultar os professores, compreenderão o que é novela e que é realidade? E como é que um professor que no dia anterior gritava impropérios à "Milu" pode ser tratado com respeito (o direito à manifestação não é um direito ao insulto )? E o presidente do Conselho Directivo que me diz que não fumar no espaço da escola é só por alguns porque eu não devo estar à espera de que um professor vá fumar para a porta da Escola, poderá punir os alunos que o fazem? E a Ministra que diz que está pronta para negociar desde que isso não implique alterar a sua posição, como explica aos alunos o conceito de sensatez?
Sem civismo a alternativa é o autoritarismo. Multar, autuar, prender se for o caso (e qualquer uma destas opções foi referida nos muitos comentários ao vídeo) é fácil é barato e dá milhões, mas não previne acidentes e não evita incidentes como este. Esta aluna (mesmo se multada e transferida de escola), estes pais (mesmo se autuados), esta professora (memo se com uma nota má na avaliação) esta escola (mesmo com outra direcção) e este Governo (mesmo que com outra Ministra) vão continuar a ser o que são: aluna noutra escola, pais noutro concelho, professor no novo ano, escola de outros alunos e Governo com a mesma politica.
É a falta de Civismo que grassa por aí que leva a:
Condutores a falar ao telemóvel ou a estacionar em passeios;
Peões a atravessar fora da passadeira;
Ambulâncias a atravessar passagens de nível fechadas;
Agricultores a fazer queimadas em pleno Verão;
Comissões de Festa a lançar foguetes na mesma época;
Pessoas a deitarem lixo para onde não devem;
Miúdos a pintar paredes e sinais de trânsito;
Fumadores em elevadores;
Donos a passear os cães sem trela; etc etc.
Nenhuma lei, impede isto de acontecer. Somos todos nós que temos de mudar e dar o exemplo.
Antes da minha opinião gostaria de falar dos muitos comentários, sobretudo nos jornais on-line. Culpou-se o governo/Ministra , os pais, os alunos, os professores e a escola. Infelizmente o PSD foi atrás da 1ª hipótese, o Governo de nenhuma delas (a culpa é, como se sabe, solteira, quer em vida quer na morte). Pessoalmente acho que é da falta de Civismo.
Não é do governo, pois estes incidentes já aconteciam antes desta Ministra e vão voltar a acontecer. Não há lei que altere esta situação específica nem outras situações de violência que se conhecem.
Não é dos pais, porque por muito que façamos em termos da educação dos nossos filhos, e neste aspecto creio que tenho feito tudo o que posso, nunca poderemos garantir que eles não façam asneiras. E ver irmãos a terem comportamentos tão diferentes é testemunho diário disso mesmo.
Não é da aluna, porque aquele comportamento só pode ser resultado de múltiplos factores e não apenas de um (mau) "humor".
Não é dos professores, que não têm meios para enfrentar este tipo de situações.
Não é da escola, porque esta é apenas um peça do puzzle da educação e, tal como os anteriores agentes, não podem resolver nada sozinhos.
Mas não sendo de nenhum em particular é de todos, E sendo de todos é do País.
O Governo criou um ambiente de guerrilha na educação. Acusou os professores de absentismo, logo no início da legislatura, e de falta de profissionalismo, para justificar algumas medidas. Acusou os alunos de laxismo para justificar outras.
Os pais são, esses sim, “ausentes” militantes, participando muito pouco na vida da escola (nos últimos três anos fui representante dos pais e o máximo que consegui foi reunir 3 pais, numa turma de 15 alunos, nas 9 reuniões que já convoquei).
Os alunos encaram, na sua maioria, a escola como uma obrigação (o que até certo ponto é verdade) e não vêem interesse na maioria das disciplinas.
Os professores manifestam-se quando as alterações legais interferem nos seus salários, independentemente da justeza de algumas das suas reenvidicações, e esquecem-se que também são pais e cidadãos e pouco opinam sobre o estatuto do aluno ou o fecho das escolas entre outros temas que, relacionados com a educação, influenciam o ambiente na escola.
Esta não consegue se posicionar no sistema educativo, com direcções compostas maioritariamente por professores, defendendo causas de classe. Basta pensar o modo como as aulas de substituição foram tratadas, focalizando-se as críticas (negativas) na falta de disponibilidade dos professores, de espaços, etc, e esquecendo as vantagens ou procurando aproveitar esses períodos para, por exemplo, estabelecer pontes de comunicação com os alunos.
Perante este cenário de culpas e desculpas podemos pensar que a solução passa por todos estes agentes ou por nenhum.
Não ouvi nem li nenhuma opinião que, de forma eficaz, apresentasse uma solução legislativa para o problema. Como bem disse a Ministra, o Código da Estrada não impede os acidentes. Nem o da Estrada nem nenhum outro. Os acidentes evitam-se com maior civismo. E se o Civismo não é estabelecido por decreto é sempre possível fazer mais para o promover.
Os pais, como já referi, sendo os principais actores da educação dos seus filhos, estão sempre presos à sua própria educação e à da sociedade em que vivem. E nestas falta muito civismo. Mas se não forem os pais a reconhecer a sua falta de civismo (patente diariamente no modo como conduzimos) ninguém o pode fazer por eles.
Os alunos têm que perceber que além de direitos também têm deveres, mas esta realidade é uma das bases do civismo que não conhecem.
Os professores devem analisar a sua vocação e reconhecer que muitos o são porque não tiveram outra saída. E sendo esta a única saída, profissionalizarem-se. É uma questão de civismo.
As escolas também se devem profissionalizar. Um bom professor não é obrigatoriamente um bom gestor. Tal como foi feito há anos atrás com os hospitais a existência de gestores escolares não será má ideia de todo. (a 1º vez que a ouvi foi a Marques Mendes numa conferência aqui em Coimbra).
Muito passa, pois, pelo civismo. E se este não se decreta. É algo que se adquire ao longo de uma vida e se vai transmitindo. Como é que um pai que fala no carro ao telemóvel sem kit mãos livres, alegando, no seu carro de 30 000 €, que são caros, pode dizer aos filhos para não usarem o seu (tlm) onde não devem? E estes que na televisão vêem os seus ídolos a usar os telemóveis e a insultar os professores, compreenderão o que é novela e que é realidade? E como é que um professor que no dia anterior gritava impropérios à "Milu" pode ser tratado com respeito (o direito à manifestação não é um direito ao insulto )? E o presidente do Conselho Directivo que me diz que não fumar no espaço da escola é só por alguns porque eu não devo estar à espera de que um professor vá fumar para a porta da Escola, poderá punir os alunos que o fazem? E a Ministra que diz que está pronta para negociar desde que isso não implique alterar a sua posição, como explica aos alunos o conceito de sensatez?
Sem civismo a alternativa é o autoritarismo. Multar, autuar, prender se for o caso (e qualquer uma destas opções foi referida nos muitos comentários ao vídeo) é fácil é barato e dá milhões, mas não previne acidentes e não evita incidentes como este. Esta aluna (mesmo se multada e transferida de escola), estes pais (mesmo se autuados), esta professora (memo se com uma nota má na avaliação) esta escola (mesmo com outra direcção) e este Governo (mesmo que com outra Ministra) vão continuar a ser o que são: aluna noutra escola, pais noutro concelho, professor no novo ano, escola de outros alunos e Governo com a mesma politica.
É a falta de Civismo que grassa por aí que leva a:
Condutores a falar ao telemóvel ou a estacionar em passeios;
Peões a atravessar fora da passadeira;
Ambulâncias a atravessar passagens de nível fechadas;
Agricultores a fazer queimadas em pleno Verão;
Comissões de Festa a lançar foguetes na mesma época;
Pessoas a deitarem lixo para onde não devem;
Miúdos a pintar paredes e sinais de trânsito;
Fumadores em elevadores;
Donos a passear os cães sem trela; etc etc.
Nenhuma lei, impede isto de acontecer. Somos todos nós que temos de mudar e dar o exemplo.
quarta-feira, 19 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
Tiros no Pé
Esta primeira quinzena de Março caracterizou-se por um conjunto de tiros nos pés de algumas das minhas mais queridas causas. A AAC-OAF, o PSD e Sistema de Mobilidade do Mondego (vulgo Metro Mondego).
Na 2ª Feira passado o meu amigo Maló de Abreu desistiu da sua candidatura à Briosa. Tinha estado com ele na semana anterior e o seu entusiasmo era evidente. As perspectivas eram boas. Se tínhamos perdido à quatro anos por quatrocentos votos, esses academistas eram recuperáveis perante a errática gestão do futebol. Iniciamos todos os campeonatos com um orçamento digno de candidatos à Europa e acabamos invariavelmente a lutar para não descer. Outros com orçamentos inferiores ficam à nossa frente , não me lembro que algum com orçamento superior tenha ficado atrás da Académica (eventualmente o Guimarães no ano em que desceu, mas recuperou depressa e bem). Não seguramos treinadores quando isso é sinónimo de estabilidade e esta sinónimo de resultados. Os bons jogadores saem sem se ver uma compensação económica ou futebolística válida. E sobretudo a falta de uma linha condutora que se entenda - não posso esquecer do Zé Eduardo a dizer-me que com ele iam acabar os empréstimos por que era mau para a equipa, hoje é Ivanildo, Luís Aguiar, Edgar e foi Hélder Barbosa. Não ponho em causa (porque não sou especialista) uma ou outra opção, apenas que se não tenha uma estratégia clara. Na situação actual, sem candidatos alternativos, este cenário vai-se manter. Por isto tudo a desistência do Maló foi um Tiro no Pé.
No mesmo dia a CMCoimbra votou a suspensão da análise da alteração do traçado na Solum até uma definição clara pelo governo. Dito assim a decisão é boa. Enquanto não estiver escrito que a linha vai ser electrificada, na proposta ainda válida, apresentada em Março de 2006, ainda está a hipótese Diesel e uma mudança de “boogies” – as rodas – das actuais automotoras para circularem num “novo” traçado com nova bitola. Infelizmente a decisão foi tomada na presença de um conjunto de cidadãos que protestavam com a referida alteração e o que saiu para fora foi um chumbo sob pressão. Bastava ter dito que era extemporânea a discussão do traçado e não ter votado. Ou votado apenas a exigência de uma definição pelo governo nas questões essenciais atrás referidas. Mas não, falou-se de politica, o PSD ficou dum lado o PS do outro, e no final ficou a ideia de que esta Câmara não quer o Metro. E o Governo não deixará de aproveitar este facto. Por tudo isto a Câmara (accionista da MM) deu um Tiro no Pé.
Finalmente não foi apenas na 2ª feira que o PSD deu tiros nos pés. Perante uma alteração aos regulamentos internos, com coisas boas e coisa más, uma das reservas de seriedade do partido, Rui Rio, fala de lavagem de dinheiro (1º tiro). Ribau Esteves (de metralhadora em punho) responde com uma chamada ao CJN e fala de multas de milhares de euros, aparentemente culpa de dirigentes de outro partido e nomeados por alguma direcção não eleita (apenas demonstra coerência com o discurso do presidente do partido quando este, sobre o mesmo tema da multa, disse que ela não era do “seu PSD”). Mendes Bota chama Cavalgadura a Pacheco Pereira, Capucho diz que quem muda a cor ao partido (o que não aconteceu) não fica um dia na liderança, etc, etc. Foi uma semana inteira de Tiros no Pé.
Seriamente feridos o PSD, a Metro e a AAC, vão continuar sob os cuidados de Luís Felipe Menezes, dos políticos e de Zé Eduardo Simões. O tratamento será longo e penoso.
Na 2ª Feira passado o meu amigo Maló de Abreu desistiu da sua candidatura à Briosa. Tinha estado com ele na semana anterior e o seu entusiasmo era evidente. As perspectivas eram boas. Se tínhamos perdido à quatro anos por quatrocentos votos, esses academistas eram recuperáveis perante a errática gestão do futebol. Iniciamos todos os campeonatos com um orçamento digno de candidatos à Europa e acabamos invariavelmente a lutar para não descer. Outros com orçamentos inferiores ficam à nossa frente , não me lembro que algum com orçamento superior tenha ficado atrás da Académica (eventualmente o Guimarães no ano em que desceu, mas recuperou depressa e bem). Não seguramos treinadores quando isso é sinónimo de estabilidade e esta sinónimo de resultados. Os bons jogadores saem sem se ver uma compensação económica ou futebolística válida. E sobretudo a falta de uma linha condutora que se entenda - não posso esquecer do Zé Eduardo a dizer-me que com ele iam acabar os empréstimos por que era mau para a equipa, hoje é Ivanildo, Luís Aguiar, Edgar e foi Hélder Barbosa. Não ponho em causa (porque não sou especialista) uma ou outra opção, apenas que se não tenha uma estratégia clara. Na situação actual, sem candidatos alternativos, este cenário vai-se manter. Por isto tudo a desistência do Maló foi um Tiro no Pé.
No mesmo dia a CMCoimbra votou a suspensão da análise da alteração do traçado na Solum até uma definição clara pelo governo. Dito assim a decisão é boa. Enquanto não estiver escrito que a linha vai ser electrificada, na proposta ainda válida, apresentada em Março de 2006, ainda está a hipótese Diesel e uma mudança de “boogies” – as rodas – das actuais automotoras para circularem num “novo” traçado com nova bitola. Infelizmente a decisão foi tomada na presença de um conjunto de cidadãos que protestavam com a referida alteração e o que saiu para fora foi um chumbo sob pressão. Bastava ter dito que era extemporânea a discussão do traçado e não ter votado. Ou votado apenas a exigência de uma definição pelo governo nas questões essenciais atrás referidas. Mas não, falou-se de politica, o PSD ficou dum lado o PS do outro, e no final ficou a ideia de que esta Câmara não quer o Metro. E o Governo não deixará de aproveitar este facto. Por tudo isto a Câmara (accionista da MM) deu um Tiro no Pé.
Finalmente não foi apenas na 2ª feira que o PSD deu tiros nos pés. Perante uma alteração aos regulamentos internos, com coisas boas e coisa más, uma das reservas de seriedade do partido, Rui Rio, fala de lavagem de dinheiro (1º tiro). Ribau Esteves (de metralhadora em punho) responde com uma chamada ao CJN e fala de multas de milhares de euros, aparentemente culpa de dirigentes de outro partido e nomeados por alguma direcção não eleita (apenas demonstra coerência com o discurso do presidente do partido quando este, sobre o mesmo tema da multa, disse que ela não era do “seu PSD”). Mendes Bota chama Cavalgadura a Pacheco Pereira, Capucho diz que quem muda a cor ao partido (o que não aconteceu) não fica um dia na liderança, etc, etc. Foi uma semana inteira de Tiros no Pé.
Seriamente feridos o PSD, a Metro e a AAC, vão continuar sob os cuidados de Luís Felipe Menezes, dos políticos e de Zé Eduardo Simões. O tratamento será longo e penoso.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
É pena...
Confirmou-se hoje que o "Dakar" deixa de ser em África. E não sendo em África já não é Dakar. É o Rali das Pampas organizado pela ASO. Afinal a cedência não foi diplomática, foi politica e com isso os terroriatas ganharam. As ajudas que a ASO levava aos países por onde o Dakar passava e impacto económico da prova na economia desses países acabaram. O Dakar acabou e o terrorismo continua (passando para o lado de cá, conforme se viu nas ultimas semanas). É pena...
domingo, 6 de janeiro de 2008
Recordar 2007 (1)- O Terrorismo
A passagem de ano, é, para mim, uma data como outra qualquer. Os ritmos da minha vida, as datas fundamentais, o imaginar, criar ou executar determinados objectivos não têm dia marcado no calendário. E mau seria se assim fosse. Fazer planos de ano a ano e analisar os seus resultados com a mesma frequência, é um acto tipo "planos quinquenais", que levaram aos resultados que se conhecem na antiga URSS. O mundo está em constante mudança e as nossas vidas têm que se adaptar a essas mudanças.
No ano passado por esta altura estava a ver o Dakar em Portimão. Este ano não há Dakar (e não há razão para lhe chamar outra coisa, pois até o Paris-Cidade do Cabo foi um "Dakar"), e não vou poder sequer sonhar ir ver o Rali nas dunas do deserto. Mas o objectivo mantêm-se, e já dura(va) há bastantes anos, mesmo que, fora de todos os calculismos, já tenha podido ver as máquinas ao vivo por a partida ter sido em Portugal e com direito a especiais com bastante interesse. A razão do cancelamento é, aparentemente, de segurança e em resposta às ameaças do ramo Maghrebino da Al-Qaeda. Já este ano tinha sentido o poder da ameaça terrorista, mas de forma indirecta. Na minha única saída do país, fui até Manchester, e por força da curiosidade profissional de ver um Tram-Train a funcionar, acabei na estação de comboios de Picadilly. Ver uma gare cheia de gente, uns polícias ali, uns turbantes acolá, o ter estado minutos antes no local onde o IRA tinha feito explodir uma bomba, fez-me sentir um calafrio- "este é um local potencialmente apetecível para um atentado". Foram breves segundos mas foram intensos. Este receio, esta insegurança, é uma vitória do Terrorismo. Por isso voltei diversas vezes ao mesmo local, não só porque era a melhor maneira de me deslocar - dali apanhei o comboio para Lymm onde Mónica estava a trabalhar, o Metro para visitar Manchester e ir a Old T
raford comprar umas recordações para os miúdos e de novo o comboio para ir de volta para o aeroporto - como para, de igual modo, afastar aquela sensação inicial e poder sentir a liberdade de movimentos que me queriam tirar. Por isso também espero voltar a ver o Dakar, aqui ou em África, sem medo sem receios, apenas com paixão. Que a anulação da prova este ano não seja mais que uma cedência diplomática, para que o futuro seja melhor. Ceder às ameaças terroristas pode salvar vidas, mas tira significado à nossa vida se se tornar um hábito.
No ano passado por esta altura estava a ver o Dakar em Portimão. Este ano não há Dakar (e não há razão para lhe chamar outra coisa, pois até o Paris-Cidade do Cabo foi um "Dakar"), e não vou poder sequer sonhar ir ver o Rali nas dunas do deserto. Mas o objectivo mantêm-se, e já dura(va) há bastantes anos, mesmo que, fora de todos os calculismos, já tenha podido ver as máquinas ao vivo por a partida ter sido em Portugal e com direito a especiais com bastante interesse. A razão do cancelamento é, aparentemente, de segurança e em resposta às ameaças do ramo Maghrebino da Al-Qaeda. Já este ano tinha sentido o poder da ameaça terrorista, mas de forma indirecta. Na minha única saída do país, fui até Manchester, e por força da curiosidade profissional de ver um Tram-Train a funcionar, acabei na estação de comboios de Picadilly. Ver uma gare cheia de gente, uns polícias ali, uns turbantes acolá, o ter estado minutos antes no local onde o IRA tinha feito explodir uma bomba, fez-me sentir um calafrio- "este é um local potencialmente apetecível para um atentado". Foram breves segundos mas foram intensos. Este receio, esta insegurança, é uma vitória do Terrorismo. Por isso voltei diversas vezes ao mesmo local, não só porque era a melhor maneira de me deslocar - dali apanhei o comboio para Lymm onde Mónica estava a trabalhar, o Metro para visitar Manchester e ir a Old T
raford comprar umas recordações para os miúdos e de novo o comboio para ir de volta para o aeroporto - como para, de igual modo, afastar aquela sensação inicial e poder sentir a liberdade de movimentos que me queriam tirar. Por isso também espero voltar a ver o Dakar, aqui ou em África, sem medo sem receios, apenas com paixão. Que a anulação da prova este ano não seja mais que uma cedência diplomática, para que o futuro seja melhor. Ceder às ameaças terroristas pode salvar vidas, mas tira significado à nossa vida se se tornar um hábito.Be Healthy

Acabadas as mensagens estereotipadas e às vezes enviadas a todos os contactos, venho desejar em directo aqueles que me conhecem e me visitam (mesmo virtualmente) um feliz ano de 2008 em que os nossos desejos mais sinceros seja cumpridos. "Healthy" têm diversos sentidos, pessoalmente gosto de todos. Ter saúde, ser sensível e equilibrado, ter uma família que sirva de exemplo, competir saudavelmente no trabalho e, porque não, ter uma situação financeira saudável.
Por isso "be healthy" é o meu desejo para vocês em 2008.
Por isso "be healthy" é o meu desejo para vocês em 2008.
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