sábado, 15 de março de 2008

Tiros no Pé

Esta primeira quinzena de Março caracterizou-se por um conjunto de tiros nos pés de algumas das minhas mais queridas causas. A AAC-OAF, o PSD e Sistema de Mobilidade do Mondego (vulgo Metro Mondego).
Na 2ª Feira passado o meu amigo Maló de Abreu desistiu da sua candidatura à Briosa. Tinha estado com ele na semana anterior e o seu entusiasmo era evidente. As perspectivas eram boas. Se tínhamos perdido à quatro anos por quatrocentos votos, esses academistas eram recuperáveis perante a errática gestão do futebol. Iniciamos todos os campeonatos com um orçamento digno de candidatos à Europa e acabamos invariavelmente a lutar para não descer. Outros com orçamentos inferiores ficam à nossa frente , não me lembro que algum com orçamento superior tenha ficado atrás da Académica (eventualmente o Guimarães no ano em que desceu, mas recuperou depressa e bem). Não seguramos treinadores quando isso é sinónimo de estabilidade e esta sinónimo de resultados. Os bons jogadores saem sem se ver uma compensação económica ou futebolística válida. E sobretudo a falta de uma linha condutora que se entenda - não posso esquecer do Zé Eduardo a dizer-me que com ele iam acabar os empréstimos por que era mau para a equipa, hoje é Ivanildo, Luís Aguiar, Edgar e foi Hélder Barbosa. Não ponho em causa (porque não sou especialista) uma ou outra opção, apenas que se não tenha uma estratégia clara. Na situação actual, sem candidatos alternativos, este cenário vai-se manter. Por isto tudo a desistência do Maló foi um Tiro no Pé.
No mesmo dia a CMCoimbra votou a suspensão da análise da alteração do traçado na Solum até uma definição clara pelo governo. Dito assim a decisão é boa. Enquanto não estiver escrito que a linha vai ser electrificada, na proposta ainda válida, apresentada em Março de 2006, ainda está a hipótese Diesel e uma mudança de “boogies” – as rodas – das actuais automotoras para circularem num “novo” traçado com nova bitola. Infelizmente a decisão foi tomada na presença de um conjunto de cidadãos que protestavam com a referida alteração e o que saiu para fora foi um chumbo sob pressão. Bastava ter dito que era extemporânea a discussão do traçado e não ter votado. Ou votado apenas a exigência de uma definição pelo governo nas questões essenciais atrás referidas. Mas não, falou-se de politica, o PSD ficou dum lado o PS do outro, e no final ficou a ideia de que esta Câmara não quer o Metro. E o Governo não deixará de aproveitar este facto. Por tudo isto a Câmara (accionista da MM) deu um Tiro no Pé.
Finalmente não foi apenas na 2ª feira que o PSD deu tiros nos pés. Perante uma alteração aos regulamentos internos, com coisas boas e coisa más, uma das reservas de seriedade do partido, Rui Rio, fala de lavagem de dinheiro (1º tiro). Ribau Esteves (de metralhadora em punho) responde com uma chamada ao CJN e fala de multas de milhares de euros, aparentemente culpa de dirigentes de outro partido e nomeados por alguma direcção não eleita (apenas demonstra coerência com o discurso do presidente do partido quando este, sobre o mesmo tema da multa, disse que ela não era do “seu PSD”). Mendes Bota chama Cavalgadura a Pacheco Pereira, Capucho diz que quem muda a cor ao partido (o que não aconteceu) não fica um dia na liderança, etc, etc. Foi uma semana inteira de Tiros no Pé.
Seriamente feridos o PSD, a Metro e a AAC, vão continuar sob os cuidados de Luís Felipe Menezes, dos políticos e de Zé Eduardo Simões. O tratamento será longo e penoso.

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