terça-feira, 22 de abril de 2008

Uma Luz ao Fundo do Túnel

O aparecimento da Candidatura a Presidente do PSD de Manuela Ferreira Leite é uma luz ao fundo do túnel.
Um túnel para onde fomos enviados, é bom dizer, por Luís Marques Mendes.
Quando em Julho passado o PSD perdeu a Câmara de Lisboa Marques Mendes vez o impensável. Apresentou a demissão e, ao mesmo tempo, recandidatou-se. Com esta atitude incongruente (reconhecer que falhou e ao mesmo tempo querer continuar) abriu as portas a LFM.
Marques Mendes tinha ideias. Algumas excelentes, outras boas, outras nem por isso. O assumir de princípios que tornaram impossíveis as candidaturas, enquanto PSD's, de Isaltino e Valentim, mesmo que com isso se tenham perdido as câmaras de Oeiras e Gondomar, foram um sinal de rigor. A aplicação do mesmo princípio Lisboa foi lógico. O se demitir por isso é que não.
Em relação aos impostos, à educação e à saúde (se exceptuarmos aqui a questão das Maternidades) o tempo veio lhe dar razão.
O problema era, e será sempre, uma questão de imagem. O "ganda Noia" não podia ser 1º Ministro.
Mas Marques Mendes quis continuar no poder, e por isso marcou eleições em pleno Verão, impedindo o aparecimento de novas candidaturas, pelo que apenas Menezes que pouco antes tinha disputado com ele um congresso tinha as tropas organizadas. Apenas com duas, pouco credíveis, alternativas, as bases escolheram o que lhes parecia ser uma nova esperança. Foi por isso que votei em branco. LFM não era nem novo nem esperança, LMM tinha capitolado.
Neste cenário cedo se viu que LFM estava a prazo ( como o próprio reconhecia na afirmação que fiz referência no Post anterior).

Com a candidatura de MFL, dizia, vê-se uma Luz ao fundo do túnel. Mas para chegarmos à saída são necessárias mais "luzes".
É necessário que a equipa seja boa. Formada por Socias-Democratas convictos, capazes de afirmar a nossa ideologia (re)conquistando o espaço do centro e centro-esquerda que é nosso. Explicando claramente que o PS não faz essa política, mas sim uma casuística em que uns dias é liberal, outros socialista, outros nem eles nem ninguém percebe.
É necessário que a nível concelhio se procurem os melhores, sendo estes os que procuram o melhor para o país e não, apenas, para a sua "quinta". Neste aspecto Coimbra é um bom paradigma. Não adianta andar a fazer pactos para mantermos a Câmara se, não sendo o PSD governo, vemos depois os projectos todos parados (Pediátrico, Metro, Estação, acessibilidades, etc). Prefiro, porque tem sido nessas alturas que a cidade mais tem crescido, ter o PS na Câmara e conimbricences do PSD no Governo, que o inverso (obviamente o ideal era ter a Câmara e o Governo, mas nesta altura será pedir demais).

Por isso espero que Manuela Ferreira Leite além de ser uma Luz ao fundo do túnel, saiba sair do mesmo.

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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Laranja sobre Azul

"Defendo um partido distendido e aberto em que cada um deve dizer o que pensa. Um partido aberto, distendido, onde tudo se possa dizer - bom, e depois existe quem manda, quem lidera. Todos esses ruídos parasitas de fundo desaparecem quando a liderança se afirma. Se daqui a um ano existir esse ruído de fundo é porque eu não fui capaz de me afirmar".

Estas declarações de LF Menezes em Outubro passado, menos de um mês depois de ser eleito, eram premonitórias. Não foi necessário um ano. O ruído foi tanto que o reconhecimento da falha (na afirmação) teve que ser antecipado. Convocou primárias (pelo menos aparentemente e sem certezas se não será candidato).

Mas porquê todo este ruído? Qual a razão de toda esta contestação?

Já aqui referi alguns tiros no pé e a paupérrima "entourage" de LFM, mas existem mais.
- A negação do passado recente do partido referindo-se, no caso Somague, a "esse não é o meu PSD"
- A alteração do sistema de quotas e direito de voto que mereceu críticas de todos os ex-secretários gerais.
- O ataque a uma jornalista ligada ao PS com acusações e vocabulário completamente inadequadas.
- Proposta em zig-zag sobre impostos, modelo constitucional, justiça, etc, etc.
- O andar a reboque das agendas televisivas, falando sobre temas (muito) menores e esquecendo o essencial.
- A liderança parlamentar de PSL preocupada em vingar o tratamento injusto (ou não) a que foi sujeito - apenas nos últimos debates se virou para a crítica objectiva e com resultados bem simpáticos.
- A mudança da imagem, que não critico em absoluto, mas que foi feita na altura errada (poderia ser interessante no lançamento da campanha eleitoral).
- Os ataques aos ditos barões, como se estes não fossem militantes como os outros, que atingiram níveis persecutórios em relação a Capucho e Rui Rio.
- E sendo estes (Capucho e Rio) autarcas, anuncia que deverão ser as bases a escolher os candidatos mas, ao mesmo tempo, retira confiança a quem não o apoia.

Perante todo o ruído causado por estes e outros tristes episódios, quer dentro do PSD quer no exterior, parece pois natural a declaração de hoje de LFM.

Para mim, e para outros como eu, pouco mudou contudo.

É que desde de 16 de Julho (dia da convocação das anteriores primárias) que defendo a candidatura de JP Aguiar Branco. Candidatura que se tornou impossível à data por manifesta falta de tempo (Marques Mendes ao convocar as eleições para 2 meses depois, com Agosto pelo meio, tentou evitar um desaire, mas fechou a porta a novas candidaturas, pelo que só o anterior candidato LFM tinha estrutura montada).

Menezes, tal como Mendes, diz que falhou, mas, tal como Mendes, é bem capaz de se recandidatar.

Por isso a batalha é a mesma - conquistar o Partido para conquistar o País - com um discurso realista, pragmático e, sobretudo, social-democrata.

Lendo a entrevista de hoje à Visão, JPAB confirma ter estes ideais bem definidos.



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Now playing: Bob Dylan - Blowin' in the Wind
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terça-feira, 8 de abril de 2008

2CV - 60º Aniversário


0 2cv Club de Cassis volta a convidar-nos a todos para um simpático encontro. Espero conseguir participar. Já tenho saudades destes encontros.

Até lá...





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Now playing: Jacques Brel - Ne Me Quitte Pas (Don't Leave Me)
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sábado, 5 de abril de 2008

Porque sou Portista

Somos Campeões. E digo somos porque eu Sou Portista.
Sou Portista porque numa tarde de 1977 fui ver um Porto-Manchester que o Porto ganhou por 4-0 e (re)descobri futebol espectáculo.
Sou Portista porque o treinador da altura, José Maria Pedroto, era um homem notável.
Sou Portista porque depois dessa vitória o Porto habituou-me a muitas vitórias e bom futebol.
Sou Portista porque o Porto foi o símbolo de uma descentralização pós-25 Abril.
Sou Portista porque em 1987 vivi em Viena o mais belo momento da minha vida enquanto espectador desportivo.
Sou Portista porque nesse ano Artur Jorge demonstrou que era possível ser se treinador de futebol e ser culto.
Sou Portista porque ao longo dos anos foi um prazer ver Futre, Gomes, Madger, Séninho, Couto, Quarema, Kostadinov, Jardel, Oliveira, Jaime Pacheco, etc, etc, etc...
Sou Portista porque existe uma lógica de trabalho e organização que dá resultados.
Sou Portista e isso dá-me muito prazer.

2CV renasce - 60 Anos Depois


A Auto-Hoje apresenta aquilo que poderia ser o renascimento do nosso querido 2CV. Num momento em que os meus dois (quatro cavalos portanto) estão no estaleiro e as peças começam a rarear, dava jeito.


Depois da VW, da FIAT e da BMW fazerem versões séc. XXI do Carocha, do 500 e do Mini, que melhor maneira da Citroen comemorar o 60º aniversário do 2CV.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O Respeito pela Lei.

O caso Esmeralda teve hoje mais um triste episódio. No dia marcado para o encontro com o pai biológico a criança não saiu do carro e, por isso, não houve visita.

Este caso é feito de episódios estranhos:
Em Fevereio de 2002 nasce uma criança que não é, à data do registo, perfilhada. Por esse facto é aberto um processo de averiguação oficiosa de paternidade. É a 1ª acção do sistema judicial.
Em Maio a criança é entregue, voluntariamente, pela mãe biológica, a um casal para que este cuide dela.

Neste ponto levanta-se um problema legal, que ao contrario do primeiro, não motiva nenhuma intervenção do sistema judicial (que aliás o desconhece durante muito tempo). Mas este momento é particularmente grave. Alguém que mora na Sertã tem conhecimento que existe um casal no Entroncamento que quer uma criança ou vice-versa, um casal sabe que existe uma criança, numa cidade a 70 km de distância, que lhes permite realizar um sonho, ter um filho. Aparentemente teria existido um intermediário. Se houve será um traficante de menores. Usei um eufemismo em relação aos desejos do casal porque não posso dizer que se tratava de um casal que queria adoptar uma criança, pois, como é sabido, o processo de adopção só entrou nos serviços competentes após o pai ter assumido a paternidade. Temos pois aqui a 1º ilegalidade, muito grave e, que se saiba, não foi investigada ou julgada.

Em Julho o pretenso Pai é inquirido no âmbito do processo de paternidade e afirma que se estes forem positivos assume a mesma. Chamado a fazer os testes, em Outubro, voluntariamente ou acompanhado pela GNR, comparece no INML para os fazer. Neste aspecto cumpre a Lei, sendo que, eventualmente, se lhe pode assacar um comportamento ético censurável ao não ter assumido voluntariamente a paternidade.

Em Fevereiro do ano seguinte saem os resultados (positivos) e, quase ao mesmo tempo, entra o pedido de adopção (pelo Casal) o pedido de regulação do poder paternal (pelo Pai).

Ano e meio depois (Julho de 2004) a decisão é a da entrega da criança ao Pai Biológico. É esta decisão que ainda está por cumprir.
Está por cumprir porque a partir desta data o casal Gomes inicia um processo de fuga para frente, recheado de ilegalidades, e que os tribunais têm vindo a sancionar. Três anos e meio depois não cumpriram a sentença determinada pelo tribunal. Foram acusados de sequestro, o Sargento Gomes condenado por esse crime, a mulher aguarda o julgamento na perspectiva de uma sentença igual. Durante dois anos e meio tiveram completo controlo sobre a criança só o partilhando quando, em Janeiro de 2007 o tribunal propõem a guarda provisória da criança a troco da indicação onde esta se encontra. Conjuntamente é suspensa a pena de prisão do sargento Gomes para que este possa, com a esposa exercer a referida guarda.

De Janeiro de 2007 até hoje diversas vezes se ouviram, da parte do sargento, comentários negativos às decisões do tribunal e tentativas de protelar a entrega.
Hoje os supostos Pais afectivos não conseguem que uma criança de seis anos cumpra o que lhes foi determinado pelo tribunal. É fácil perceber porquê.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Metro a Metro, Centimetro a Centimetro ou as diferenças entre o Porto e Coimbra

Enquanto em Coimbra se discute se o Metro deve ao não passar em determinada rua, no Porto discutem-se novas pontes. Lendo o gratuito "Sexta" de 28 Março, e recordando a discussão na blogosfera Coimbrã sobre o novo trajecto na Solum, chegamos à conclusão que não vivemos (os Portuenses e os Conimbricences) no mesmo mundo.
Antes de olhar para as expansões em análise no Porto é bom recordar um pequena notícia com 6 meses.
"Dinamismo do metro do Porto compensa quebra em Lisboa no total de passageiros transportados até Junho
O total de passageiros transportados nos metropolitanos de Lisboa e Porto aumentou 2,8 por cento no primeiro semestre face ao mesmo período de 2006, com o dinamismo do metro portuense a compensar a quebra na capital.
Segundo os dados da actividade dos transportes hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de Janeiro a Junho os metropolitanos de Lisboa e Porto transportaram 115,7 milhões de passageiros, com o movimento no metro da capital a cair 3,2 por cento (para 91,2 milhões de passageiros) e o do Porto a crescer 33,7 por cento (para 24,5 milhões de passageiros).

(Lusa 4-09-07)"

É por esta e outras razões que o Metro do Porto pode pensar nestas expansões.

Recordo que o principio base do Metro do Porto é o mesmo do Metro Mondego: Recuperar um linha ferroviária suburbana e juntar-lhe um troço urbano. À Escala a Linha da Lousã corresponde às linhas da Póvoa e da Trofa, a Linha S. João - St. Ovideo à linha Baixa - HUC. a linha azul (Dragão - Sr. Matosinhos) é um extra que o Porto tem devido exactamente à dimensão do Projecto. No Porto por razões muito específicas (ruas muito estreitas e o Edifício da Câmara) foi necessário fazer um túnel de Salgueiros a S. Bento, em Coimbra serão as pendentes a obrigar à existência de um túnel aqui em Celas (mas não é necessário usar um tuneladora visto ser feito sob as ruas, pelo que será em Cut & Cover - escavar e cobrir como foi feito nas Avenidas Novas em Lisboa e na Cidade Universitária no Porto).
Quem leu o comunicado do protesto dos moradores da Solum e os comentários na Blogosfera pensa se estas realidades são conhecidas dos Conimbricenses. Convido-vos a ler as razões do Protesto e os comentários nas assinaturas. Quase nenhuma razão é valida (aliás nenhuma razão é válida existindo apenas pontos que merecem reflexão), e os comentários chegam a ser delirantes:
" Vai destruir o jardim 25 de Abril (da fonte em frente ao estádio) e o pequeno quadrado do Girasolum" - o projecto contempla um Jardim na praça 25 de Abril que efectivamente é, actualmente, só ruas e passeios...
"A alteração correspondente não se justifica face ao número irrisório de eventuais passageiros que irão utilizar o acesso às várias escolas e ao Centro Comercial" - Ir de Metro para o D. Maria, Escola Superior de Educação e Avelar Brotero? Jamais!. Efectivamente não conhecem o número de utentes que o Metro do Porto captou...
"Frequento o ginásio Holmes Places. Aqui entram diariamente dezenas de pessoas, que também serão afectadas" - Dezenas?! Afectadas?! Que tal perguntar ao Holmes Place se ele quer o Metro à sua porta. Vai na volta serão centenas os beneficiados.
"Como utente da Escola Primária João de Deus, interrogo-me se nem com a mensalidade que pagamos podemos ficar sossegados nos nossos empregos" - sem comentários...
"Canalizem o dinheiro para reforçarem o Parque de Transportes Públicos Ecológicos" (tirei o Caps Lock por que é má educação berrar) - Mas será que o Metro não é ecológico? Os números no Porto falam de dezenas de milhões de euros de ganhos ambientais. 63 milhões para ser mais exacto.
Neste último ponto está uma das questões curiosas deste debate. É dito e redito que os Troleis são ecológicos. É verdade, porque têm motores eléctricos. E o Metro? upps, também. Mas se os troleis fazem o que o Metro não faz (subidas com pendentes superiores a 8%) e o Metro faz os que os Troleis não fazem (ter canal dedicado e por isso não perder tempo em engarrafamentos) porque não juntar os dois. Basta pensar nos Olivais, Alto de Santa Clara e, naturalmente a Universidade. Mas o pitoresco deste debate é quando se defendem os Troleis salientando que somos a única cidade da península que os tem, e uma das críticas ao Metro é que poucas cidades optaram por ele (li um comentário em que se perguntava se nos considerávamos mais inteligentes que os outros - como Lisboa, Londres, Paris ou Moscovo - que tinham optado por Metro subterrâneo). Por um lado devemos estar orgulhosos das nossas diferenças por outro devemos ser seguidistas.
Perante estes cenários, recordo, o Metro do Porto estuda novas expansões, incluindo uma nova ponte sobre o Douro. Coimbra continua a discutir 300 metros junto a umas escolas que, como é referido pelos próprios pais, têm movimento duas vezes por dia!
Já agora é bom recordar que em Matosinhos o traçado foi alterado, já com a obra em andamento. Muito criticados pelos custos das inserções urbanas, derivados destas e de outras alterações, os autarcas das AMP e o presidente da Metro do Porto respondem com evidências. "Vão a Dublin e vejam as consequências, para a segurança da circulação, de não o fazer".
Não existe pois razão para não avançar com o projecto, no ponto em que está, à espera da solução perfeita, como também não era razão não avançar em 2005 porque não se ia a Serpins. O programa apresentado em Março de 2006, apesar de muitas lacunas, é o que temos e é com ele que devemos avançar. Sob pena de o Governo eternizar a fase 2 (a fase 1 lá se vai fazendo devagar devagarinho). E aquela, como referiu o presidente da Câmara, é fundamental porque só ela garante a electrificação.
Definitivamente não é (só) no futebol que a diferença entre o Porto e Coimbra é enorme. É (sobretudo) nas mentalidades.