Enquanto em Coimbra se discute se o Metro deve ao não passar em determinada rua, no Porto discutem-se novas pontes. Lendo o gratuito "Sexta" de 28 Março, e recordando a discussão na blogosfera Coimbrã sobre o novo trajecto na Solum, chegamos à conclusão que não vivemos (os Portuenses e os Conimbricences) no mesmo mundo.
Antes de olhar para as expansões em análise no Porto é bom recordar um pequena notícia com 6 meses.
"Dinamismo do metro do Porto compensa quebra em Lisboa no total de passageiros transportados até Junho
O total de passageiros transportados nos metropolitanos de Lisboa e Porto aumentou 2,8 por cento no primeiro semestre face ao mesmo período de 2006, com o dinamismo do metro portuense a compensar a quebra na capital.
Segundo os dados da actividade dos transportes hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de Janeiro a Junho os metropolitanos de Lisboa e Porto transportaram 115,7 milhões de passageiros, com o movimento no metro da capital a cair 3,2 por cento (para 91,2 milhões de passageiros) e o do Porto a crescer 33,7 por cento (para 24,5 milhões de passageiros).
(Lusa 4-09-07)"
É por esta e outras razões que o Metro do Porto pode pensar nestas expansões.

Recordo que o principio base do Metro do Porto é o mesmo do Metro Mondego: Recuperar um linha ferroviária suburbana e juntar-lhe um troço urbano. À Escala a Linha da Lousã corresponde às linhas da Póvoa e da Trofa, a Linha S. João - St. Ovideo à linha Baixa - HUC. a linha azul (Dragão - Sr. Matosinhos) é um extra que o Porto tem devido exactamente à dimensão do Projecto. No Porto por razões muito específicas (ruas muito estreitas e o Edifício da Câmara) foi necessário fazer um túnel de Salgueiros a S. Bento, em Coimbra serão as pendentes a obrigar à existência de um túnel aqui em Celas (mas não é necessário usar um tuneladora visto ser feito sob as ruas, pelo que será em Cut & Cover - escavar e cobrir como foi feito nas Avenidas Novas em Lisboa e na Cidade Universitária no Porto).
Quem leu o comunicado do protesto dos moradores da Solum e os comentários na Blogosfera pensa se estas realidades são conhecidas dos Conimbricenses. Convido-vos a ler as razões do Protesto e os comentários nas assinaturas. Quase nenhuma razão é valida (aliás nenhuma razão é válida existindo apenas pontos que merecem reflexão), e os comentários chegam a ser delirantes:
" Vai destruir o jardim 25 de Abril (da fonte em frente ao estádio) e o pequeno quadrado do Girasolum" - o projecto contempla um Jardim na praça 25 de Abril que efectivamente é, actualmente, só ruas e passeios...
"A alteração correspondente não se justifica face ao número irrisório de eventuais passageiros que irão utilizar o acesso às várias escolas e ao Centro Comercial" - Ir de Metro para o D. Maria, Escola Superior de Educação e Avelar Brotero? Jamais!. Efectivamente não conhecem o número de utentes que o Metro do Porto captou...
"Frequento o ginásio Holmes Places. Aqui entram diariamente dezenas de pessoas, que também serão afectadas" - Dezenas?! Afectadas?! Que tal perguntar ao Holmes Place se ele quer o Metro à sua porta. Vai na volta serão centenas os beneficiados.
"Como utente da Escola Primária João de Deus, interrogo-me se nem com a mensalidade que pagamos podemos ficar sossegados nos nossos empregos" - sem comentários...
"Canalizem o dinheiro para reforçarem o Parque de Transportes Públicos Ecológicos" (tirei o Caps Lock por que é má educação berrar) - Mas será que o Metro não é ecológico? Os números no Porto falam de dezenas de milhões de euros de ganhos ambientais. 63 milhões para ser mais exacto.
Neste último ponto está uma das questões curiosas deste debate. É dito e redito que os Troleis são ecológicos. É verdade, porque têm motores eléctricos. E o Metro? upps, também. Mas se os troleis fazem o que o Metro não faz (subidas com pendentes superiores a 8%) e o Metro faz os que os Troleis não fazem (ter canal dedicado e por isso não perder tempo em engarrafamentos) porque não juntar os dois. Basta pensar nos Olivais, Alto de Santa Clara e, naturalmente a Universidade. Mas o pitoresco deste debate é quando se defendem os Troleis salientando que somos a única cidade da península que os tem, e uma das críticas ao Metro é que poucas cidades optaram por ele (li um comentário em que se perguntava se nos considerávamos mais inteligentes que os outros - como Lisboa, Londres, Paris ou Moscovo - que tinham optado por Metro subterrâneo). Por um lado devemos estar orgulhosos das nossas diferenças por outro devemos ser seguidistas.
Perante estes cenários, recordo, o Metro do Porto estuda novas expansões, incluindo uma nova ponte sobre o Douro. Coimbra continua a discutir 300 metros junto a umas escolas que, como é referido pelos próprios pais, têm movimento duas vezes por dia!
Já agora é bom recordar que em Matosinhos o traçado foi alterado, já com a obra em andamento. Muito criticados pelos custos das inserções urbanas, derivados destas e de outras alterações, os autarcas das AMP e o presidente da Metro do Porto respondem com evidências. "Vão a Dublin e vejam as consequências, para a segurança da circulação, de não o fazer".
Não existe pois razão para não avançar com o projecto, no ponto em que está, à espera da solução perfeita, como também não era razão não avançar em 2005 porque não se ia a Serpins. O programa apresentado em Março de 2006, apesar de muitas lacunas, é o que temos e é com ele que devemos avançar. Sob pena de o Governo eternizar a fase 2 (a fase 1 lá se vai fazendo devagar devagarinho). E aquela, como referiu o presidente da Câmara, é fundamental porque só ela garante a electrificação.
Definitivamente não é (só) no futebol que a diferença entre o Porto e Coimbra é enorme. É (sobretudo) nas mentalidades.
Antes de olhar para as expansões em análise no Porto é bom recordar um pequena notícia com 6 meses.
"Dinamismo do metro do Porto compensa quebra em Lisboa no total de passageiros transportados até Junho
O total de passageiros transportados nos metropolitanos de Lisboa e Porto aumentou 2,8 por cento no primeiro semestre face ao mesmo período de 2006, com o dinamismo do metro portuense a compensar a quebra na capital.
Segundo os dados da actividade dos transportes hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de Janeiro a Junho os metropolitanos de Lisboa e Porto transportaram 115,7 milhões de passageiros, com o movimento no metro da capital a cair 3,2 por cento (para 91,2 milhões de passageiros) e o do Porto a crescer 33,7 por cento (para 24,5 milhões de passageiros).
(Lusa 4-09-07)"
É por esta e outras razões que o Metro do Porto pode pensar nestas expansões.

Recordo que o principio base do Metro do Porto é o mesmo do Metro Mondego: Recuperar um linha ferroviária suburbana e juntar-lhe um troço urbano. À Escala a Linha da Lousã corresponde às linhas da Póvoa e da Trofa, a Linha S. João - St. Ovideo à linha Baixa - HUC. a linha azul (Dragão - Sr. Matosinhos) é um extra que o Porto tem devido exactamente à dimensão do Projecto. No Porto por razões muito específicas (ruas muito estreitas e o Edifício da Câmara) foi necessário fazer um túnel de Salgueiros a S. Bento, em Coimbra serão as pendentes a obrigar à existência de um túnel aqui em Celas (mas não é necessário usar um tuneladora visto ser feito sob as ruas, pelo que será em Cut & Cover - escavar e cobrir como foi feito nas Avenidas Novas em Lisboa e na Cidade Universitária no Porto).
Quem leu o comunicado do protesto dos moradores da Solum e os comentários na Blogosfera pensa se estas realidades são conhecidas dos Conimbricenses. Convido-vos a ler as razões do Protesto e os comentários nas assinaturas. Quase nenhuma razão é valida (aliás nenhuma razão é válida existindo apenas pontos que merecem reflexão), e os comentários chegam a ser delirantes:
" Vai destruir o jardim 25 de Abril (da fonte em frente ao estádio) e o pequeno quadrado do Girasolum" - o projecto contempla um Jardim na praça 25 de Abril que efectivamente é, actualmente, só ruas e passeios...
"A alteração correspondente não se justifica face ao número irrisório de eventuais passageiros que irão utilizar o acesso às várias escolas e ao Centro Comercial" - Ir de Metro para o D. Maria, Escola Superior de Educação e Avelar Brotero? Jamais!. Efectivamente não conhecem o número de utentes que o Metro do Porto captou...
"Frequento o ginásio Holmes Places. Aqui entram diariamente dezenas de pessoas, que também serão afectadas" - Dezenas?! Afectadas?! Que tal perguntar ao Holmes Place se ele quer o Metro à sua porta. Vai na volta serão centenas os beneficiados.
"Como utente da Escola Primária João de Deus, interrogo-me se nem com a mensalidade que pagamos podemos ficar sossegados nos nossos empregos" - sem comentários...
"Canalizem o dinheiro para reforçarem o Parque de Transportes Públicos Ecológicos" (tirei o Caps Lock por que é má educação berrar) - Mas será que o Metro não é ecológico? Os números no Porto falam de dezenas de milhões de euros de ganhos ambientais. 63 milhões para ser mais exacto.
Neste último ponto está uma das questões curiosas deste debate. É dito e redito que os Troleis são ecológicos. É verdade, porque têm motores eléctricos. E o Metro? upps, também. Mas se os troleis fazem o que o Metro não faz (subidas com pendentes superiores a 8%) e o Metro faz os que os Troleis não fazem (ter canal dedicado e por isso não perder tempo em engarrafamentos) porque não juntar os dois. Basta pensar nos Olivais, Alto de Santa Clara e, naturalmente a Universidade. Mas o pitoresco deste debate é quando se defendem os Troleis salientando que somos a única cidade da península que os tem, e uma das críticas ao Metro é que poucas cidades optaram por ele (li um comentário em que se perguntava se nos considerávamos mais inteligentes que os outros - como Lisboa, Londres, Paris ou Moscovo - que tinham optado por Metro subterrâneo). Por um lado devemos estar orgulhosos das nossas diferenças por outro devemos ser seguidistas.
Perante estes cenários, recordo, o Metro do Porto estuda novas expansões, incluindo uma nova ponte sobre o Douro. Coimbra continua a discutir 300 metros junto a umas escolas que, como é referido pelos próprios pais, têm movimento duas vezes por dia!
Já agora é bom recordar que em Matosinhos o traçado foi alterado, já com a obra em andamento. Muito criticados pelos custos das inserções urbanas, derivados destas e de outras alterações, os autarcas das AMP e o presidente da Metro do Porto respondem com evidências. "Vão a Dublin e vejam as consequências, para a segurança da circulação, de não o fazer".
Não existe pois razão para não avançar com o projecto, no ponto em que está, à espera da solução perfeita, como também não era razão não avançar em 2005 porque não se ia a Serpins. O programa apresentado em Março de 2006, apesar de muitas lacunas, é o que temos e é com ele que devemos avançar. Sob pena de o Governo eternizar a fase 2 (a fase 1 lá se vai fazendo devagar devagarinho). E aquela, como referiu o presidente da Câmara, é fundamental porque só ela garante a electrificação.
Definitivamente não é (só) no futebol que a diferença entre o Porto e Coimbra é enorme. É (sobretudo) nas mentalidades.
1 comentário:
Muito sinceramente, acho que deverias apontar baterias a Lisboa e ao metro de Lisboa, com o tunel do terreiro da paco, a derrapagem na extensao da linha vermelha, que ja vai em 44M euros.
Quanto a linha da Lousa, sinceramente havias de ser contra tal projecto, porque tal como aconteceu no Porto, vao ser gastos milhoes de euros, para no final ficares com uma viagem que no minimo te demorara o msm tempo senao mais ainda... Que tal criar os Suburbanos de Coimbra? E ate poderia criar mais linhas Coimbra/Aveiro, Coimbra/Figueira da Foz via pampilhosa e via Alfarelos, Coimbra/Entroncamento e ainda Coimbra Marinha Grande ou Leiria via Linha do Oeste que agora vai ser renovada...
Quanto aos troleis, sim isso e uma estupidez, sao mais baratos de operar e mais ecologicos, bem podiam ser gastos uns "trocos" a renovar alguns trocos e a frota...
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