A passagem de ano, é, para mim, uma data como outra qualquer. Os ritmos da minha vida, as datas fundamentais, o imaginar, criar ou executar determinados objectivos não têm dia marcado no calendário. E mau seria se assim fosse. Fazer planos de ano a ano e analisar os seus resultados com a mesma frequência, é um acto tipo "planos quinquenais", que levaram aos resultados que se conhecem na antiga URSS. O mundo está em constante mudança e as nossas vidas têm que se adaptar a essas mudanças.
No ano passado por esta altura estava a ver o Dakar em Portimão. Este ano não há Dakar (e não há razão para lhe chamar outra coisa, pois até o Paris-Cidade do Cabo foi um "Dakar"), e não vou poder sequer sonhar ir ver o Rali nas dunas do deserto. Mas o objectivo mantêm-se, e já dura(va) há bastantes anos, mesmo que, fora de todos os calculismos, já tenha podido ver as máquinas ao vivo por a partida ter sido em Portugal e com direito a especiais com bastante interesse. A razão do cancelamento é, aparentemente, de segurança e em resposta às ameaças do ramo Maghrebino da Al-Qaeda. Já este ano tinha sentido o poder da ameaça terrorista, mas de forma indirecta. Na minha única saída do país, fui até Manchester, e por força da curiosidade profissional de ver um Tram-Train a funcionar, acabei na estação de comboios de Picadilly. Ver uma gare cheia de gente, uns polícias ali, uns turbantes acolá, o ter estado minutos antes no local onde o IRA tinha feito explodir uma bomba, fez-me sentir um calafrio- "este é um local potencialmente apetecível para um atentado". Foram breves segundos mas foram intensos. Este receio, esta insegurança, é uma vitória do Terrorismo. Por isso voltei diversas vezes ao mesmo local, não só porque era a melhor maneira de me deslocar - dali apanhei o comboio para Lymm onde Mónica estava a trabalhar, o Metro para visitar Manchester e ir a Old T
raford comprar umas recordações para os miúdos e de novo o comboio para ir de volta para o aeroporto - como para, de igual modo, afastar aquela sensação inicial e poder sentir a liberdade de movimentos que me queriam tirar. Por isso também espero voltar a ver o Dakar, aqui ou em África, sem medo sem receios, apenas com paixão. Que a anulação da prova este ano não seja mais que uma cedência diplomática, para que o futuro seja melhor. Ceder às ameaças terroristas pode salvar vidas, mas tira significado à nossa vida se se tornar um hábito.
No ano passado por esta altura estava a ver o Dakar em Portimão. Este ano não há Dakar (e não há razão para lhe chamar outra coisa, pois até o Paris-Cidade do Cabo foi um "Dakar"), e não vou poder sequer sonhar ir ver o Rali nas dunas do deserto. Mas o objectivo mantêm-se, e já dura(va) há bastantes anos, mesmo que, fora de todos os calculismos, já tenha podido ver as máquinas ao vivo por a partida ter sido em Portugal e com direito a especiais com bastante interesse. A razão do cancelamento é, aparentemente, de segurança e em resposta às ameaças do ramo Maghrebino da Al-Qaeda. Já este ano tinha sentido o poder da ameaça terrorista, mas de forma indirecta. Na minha única saída do país, fui até Manchester, e por força da curiosidade profissional de ver um Tram-Train a funcionar, acabei na estação de comboios de Picadilly. Ver uma gare cheia de gente, uns polícias ali, uns turbantes acolá, o ter estado minutos antes no local onde o IRA tinha feito explodir uma bomba, fez-me sentir um calafrio- "este é um local potencialmente apetecível para um atentado". Foram breves segundos mas foram intensos. Este receio, esta insegurança, é uma vitória do Terrorismo. Por isso voltei diversas vezes ao mesmo local, não só porque era a melhor maneira de me deslocar - dali apanhei o comboio para Lymm onde Mónica estava a trabalhar, o Metro para visitar Manchester e ir a Old T
raford comprar umas recordações para os miúdos e de novo o comboio para ir de volta para o aeroporto - como para, de igual modo, afastar aquela sensação inicial e poder sentir a liberdade de movimentos que me queriam tirar. Por isso também espero voltar a ver o Dakar, aqui ou em África, sem medo sem receios, apenas com paixão. Que a anulação da prova este ano não seja mais que uma cedência diplomática, para que o futuro seja melhor. Ceder às ameaças terroristas pode salvar vidas, mas tira significado à nossa vida se se tornar um hábito.