sábado, 27 de outubro de 2007

Coimbra - Sonhos e Pesadelos



A intenção era procurar informações sobre a, desde há mais de vinte anos, futura passagem superior da Adémia. O resultado foi surpreendente. Fui parar a um sítio da net que apresenta diversos projectos para a cidade de Coimbra (é mais vasto, mas o nosso interesse ficou-se por aqui). Em http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=526847 encontram-se uma série de projectos arquitectónicos para esta pungente urbe, aprovados, recusados, a construir ou em construção, existe de tudo um pouco. Mas nesta diversidade encontra-se um fio condutor, um triste fado -os projectos de sonho não passam do papel, os maciços de betão já aparecem em fotografia. São os sonhos e os pesadelos. Sonhos como a intervenção na margem esquerda(na Foto), a estação intermodal, o conservatório, etc, e outros não apresentados como o troço Coimbra A- Coimbra B, a renovação da Estação Velha, ou o Metro. Realidades são o "Celas Residence", os Jardins do Mondego, o Fórum, o "Zen". Altas densidades habitacionais, em que os espaços verdes, sempre presentes nas maquetas, desaparecem quando a obra fica pronta- o "Celas Residence" aqui ao meu lado tem um canteiro, no topo do parque de estacionamento!
Mas nem tudo é mau. O Parque Verde insiste em expandir-se do lado sul, e esperemos que derrube as barreiras ainda existentes entre a saída da ponte pedonal, quer para as novas instalações de apoio aos desportos naúticos quer à envolvente de Santa Clara-a-Velha. Na António José de Almeida, um terreno que desde da minha infância estava abandonado, ganhou forma o primeiro espaço de lazer público da zona de Celas. O Pediátrico, o Convento S. Francisco, o Machado de Castro, entre outros, lá vão avançando penosamente, mas são sonhos que se tornarão realidades. O CoimbraIParque e o Metro Mondego, são outra história (serão temas de post dedicados), mas temos que acreditar que se tornarão realidade porque quer Coimbra quer quem por eles lutou nos últimos anos, bem o merece.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ir a Dakar de 2CV


Alguma vez tinha que ser a primeira e este é o primeiro Post sobre 2CV (o que fica bem num blog chamado o Bicavalista).
Os mesmos "malucos" que tentaram, já por duas vezes, fazer o DAKAR num 2CV, pouco mais do que de série, querem que nós entremos numa loucura semelhante. A vantagem é que não é em competição.
Mas o 2CV é isto mesmo, um carro definido como "Ceci n'est pas une voiture ... c'est um art de vivre". E esta filosofia própria, se se pode dizer, deste carro, é sempre boa de recordar. O presidente da Citroen, à data do seu lançamento, dizia que tinha que ter altura para se entrar de cartola (daí o tamanho e altura das portas) e o conforto necessário para transportar uma cesta de ovos, sem se partirem, no banco de trás num caminho rural (daí a maravilhosa suspensão). É esta polivalência e transversalidade social que permite que hoje (e sempre) o 2CV tenha sido o carro do médico e do agricultor, dos "maios de 68" e de políticos, de ricos e pobres, da Patagónia ao Vietname passando, obviamente, por este canto da Europa.
Não sei se vou poder ir a este "passeio", mas que vou manter esta filosofia vou.
Porque é uma filosofia que permite ver o mundo que nos rodeia numa perspectiva abrangente, sem preconceitos, ideias feitas mas, sobretudo, com humildade. Num encontro Mundial de 2CV na Finlândia, o "padrinho" do evento era Ari Vatanen, antigo piloto de ralis, fiel dono de um 2CV com que se desloca na sua quinta em França e ... eurodeputado. O local do encontro foi um espectacular Parque de Campismo, relvado, junto a um dos mil lagos, com saunas espalhadas por todo lado. Uns anos antes o encontro tinha sido na Suiça, organizado por um Clube local que teve tantas dificuldades em convencer o governo a aceitar a "invasão" de um bando de ruidosas e poluidoras viaturas, que o local que nos destinaram foi um antigo campo militar, junto a um glaciar, a 2 000m de altitude. A convivência com estas diferentes realidades é uma excelente escola de vida.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Faculdade de Direito

Nesta minha serôdia vontade de (re)fazer aquilo que comecei nos anos oitenta, pedi o reingresso na Faculdade de Direito da U.C.. Antes das razões do regresso gostaria de falar das razões do abandono. A razão principal é que era mau aluno. E por isso fui parar à tropa num altura imprópria (com 24 anos, já a trabalhar, 18 meses de completa inacção - tirando a física- foram uma desgraça). Mas existiram outros pequenos pormenores que em muito contribuíram para o meu desalento. Os anos 80, entrei na faculdade exactamente em 1980, foram anos extremamente politizados. Como já referi eu estava embrenhado nessas lutas, o que me permitia um acesso à informação - quiçá tendenciosa - e opinião daqueles com quem convivia politicamente. Com este background, ter aulas com Vital Moreira ou Jorge Leite, eram mais extensões da luta politico-partidária de que outra coisa. Jorge Leite defendia um modelo de regulação das relações laborais claramente diferente do meu, e eu ia tentando, através de conversas com os meus correlegionários (as tidas com o Prof. Mário Pinto ficaram para sempre na memória), fundamentar as minhas visões. O resultado foi simples, fiquei a saber bastante de Direito de Trabalho (até a minha vida profissional assim o obrigava) mas em divergência ideológica com o regente da cadeira, pelo que fui chumbado na oral com um pragmático "você,que é filho de fulano e que vai ter trabalhadores sob a sua alçada, tem que saber mais que os outros,", "mas eu sei a matéria certo?" "sim, mas está chumbado". Não posso garantir a exactidão de todas as palavras mas a ideia geral foi esta, qual Marcelo Rebelo de Sousa a defender o não no referendo do aborto na maravilhosa versão dos gatos Fedorentos. "Eu sei?" "Sim" "Então passei?" "Não". Daí o ter feito uma IVC - Interrupção Voluntária do Curso, que, ao contrário da eufemística IGV, pode ser retomado.
Com Vital Moreira a questão foi mais pacífica. Ciência Política era uma cadeira de tal modo interessante que foi a única a que não tive equivalência no novo plano de curso. Têm lógica, porque tudo que Vital Moreira defendia no início da década de oitenta, já ninguém de bom senso defende hoje. Incluindo o próprio, o que só o dignifica. Só acho um pouco injusto ter sido obrigado a escrever que concordava com as maravilhas do Marxismo-leninismo e isso não dar sequer uma misera ECT. Mas o mais injustiçado é mesmo o Prof. Vital Moreira.
Mas nem tudo foram espinhos, a oportunidade de aprender Constitucional com o Prof. Cardoso da Costa foi única, e fez-me manter até hoje, um extraordinário apreço por este Homem, que merecidamente chegou a presidente do T. Constitucional. Na impossibilidade ideológica e prática de utilizar o manual de Gomes Canotilho, fornecia apontamentos seus que, enquanto representante dos alunos, eu fotocopiava e distribuía.
Figueiredo Dias (cativante na defesa do seu "penalismo"), Castanheira Neves (na tão incompreendida Introdução, mas cujos ensinamentos me têm acompanhado ao longo dos anos), Manuel Porto (um pragmático num reino de teóricos) entre outros, foram Professores que também me marcaram positivamente. Outros, infelizmente, em muito contribuíram para o meu abandono com a falta das qualidades que os atrás referidos demonstraram.
Passados 20 anos regresso com as minhas convicções alicerçadas nas experiências da vida e nos sábios ensinamentos de alguns amigos. A ver vamos

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Congresso do PSD

Grande parte da minha vida política desenvolveu-se nos anos 80, tendo começado logo após o 25 Abril, na inconsciência dos meus treze anos e com muita influência paterna. O palco escolhido foi o PSD, na altura PPD, e na sua juventude partidária (JSD). Como forma de afirmação da minha ideologia, cada dia mais convicta, quer pelas conversas com os fundadores do PPD em Coimbra (Figueiredo Dias, Barbosa de Melo, Mota Pinto, o meu pai, entre outros) quer por alguma leitura de Bernstein e Sá Carneiro, fui me aventurando por RGAs e eleições para os orgãos académicos. Inicialmente nas Comissões de Alunos no Liceu, mais tarde na DG da AAC, coroada com o regresso das tradições Académicas a Coimbra. A nível nacional fui tendo experiências várias, no CJ da Jota, no CN e naturalmente em Congressos. No PSD ia assistindo à chegada, ascensão e às vezes queda, de muitos dos ditos barões, ou elites (Dias Loureiro e Encarnação, Nogueira e Calvão, etc) A tropa (na altura ano e meio) e o trabalho afastaram-me durante quase vinte anos da política activa, mas não me impediram de ir acompanhando os caminhos daqueles que, tendo estado nas mesmas lutas que eu, se mantinham (ou não) activamente na política. Dos PPD's alguns saíram do Partido, como o meu Pai, para abraçar outros projectos, outros foram se afastando ou faleceram. Dos que foram entrando nessa altura (76-85) boa parte ocupa cargos importantes na vida política e económica do país. Os Jotinhas da altura também chegaram a quase todo lado, de Ministros a eurodeputados, de Presidentes de Câmara a administradores públicos (uns por capacidades notórias outros vá la gente entender como).
Passados esses vinte anos, a candidatura presidencial de Cavaco Silva trouxe-me de volta à politica, pela mão amiga de um dos Jotas da altura (Jorge Antunes). Curiosamente à volta da 1ª candidatura presidencial, da área social-democrata, com efectivas possibilidades de ganhar, venho a reencontrar quase todos aqueles que referi anteriormente. Os históricos fundadores do partido (não foram só três, porque sem estruturas locais nunca teríamos sido mais que um BE de centro ou um PRD com ideologia), as elites afastadas pelas derivas mais populistas de Santana Lopes ou por incompatibilidades com o feitio autoritário e centralizador do próprio Cavaco Silva que agora apoiavam, os Jotas que eram agora presidentes de Câmara, deputados ou ex-governantes. Creio que só faltou ver o injustiçado Fernando Nogueira, ou por estar fora do país ou por não ter sarado as incompatibilidades que o "tabu" lhe deixou. E aproveitei para conhecer outros políticos como Pedro Machado ou Manuel Antunes que, por serem novos ou eu ter falhado no acompanhamento da política regional, eram (boa) novidade para mim.
Mas o tema é o XXX Congresso e as directas que o precederam, só que a análise que faço a estes recentes eventos não pode ser feita sem o enquadramento anterior. Na realidade a janela de esperança aberta com a eleição de CS e as pessoas que atraiu de novo à política foi fechada com estrondo. Praticamente nenhum dos nomes directa ou indirectamente referidos anteriormente fazem parte dos órgãos do partido. O distrito troca Pedro Machado (presidente da RTCentro) por Paulo Pereira Coelho na CPN (PPC é vereador do PSD na Figueira da Foz, mas destabilizando quase todas as reuniões do executivo camarário, em ataques aos, ou dos seus companheiros de partido...). Jaime Soares não é substituído na mesa do Congresso, Carlos Encarnação é o, no Conselho Nacional, pelo 5º ou 6º da Coligação por Coimbra (cujo nº 2 perdeu a confiança do nº1 e parecem preocupados, apenas, em acertar contas) . Costa Andrade, falado para o CJN, não está, e este orgão passa a ser presidido por alguém que é assessor jurídico da C.M. de Gaia, tendo como vice um vereador da mesma Câmara. Resta-nos José Manuel Canavarro, que em termos de troca directa com Calvão da Silva na CPN, deixa o concelho de Coimbra igualmente bem representado em termos técnicos, ambos são brilhantes nas suas áreas, com a pequena singularidade política de ambos terem sido mandatários das duas listas que em Julho de 2006 se degladiaram nas eleições para a Comissão politica de secção (o 1º com o já não presidente Carlos Páscoa, o 2º com o proscrito Pina Prata). E neste aspecto, o saco de gatos que aquele orgão se tornou (as picardias entre os seus membros nas eleições directas e o plebiscito do novo presidente, foram, no mínimo, caricatos) em nada abona quem o caucionou.
Assim não vamos lá (nem Coimbra nem o PSD).