Um excelente organização do Ordem dos Engenheiros da Região Centro, um bom painel (sobretudo o 3º), onde a vontade de fazer algo (o cadastro) esbarrou sempre (implicitamente) na falta de dinheiro.
A dificuldade de fazer algo perfeito em termos técnicos (estavamos na OE), que alguém tem de pagar, e isso em Portugal quer dizer estado e o estado somos nós os contribuintes. Contribuintes/cidadãos que estiveram, até um excelente intervenção do vereador Luis Grego da CM de Mira, afastados da discussão enquanto cidadãos e apenas chamados enquanto contribuintes.
Antes de mais uma pequena maldade. Estamos a discutir uma forma muito exacta de delimitação da propriedade privada num país onde concelhos com Faro e Loulé discutem os seus limites e numa cidade onde duas freguesias (Santa Clara e São Martinho) levaram o assunto até aos tribunais...
O primeiro painel (Propriedade + Valor) rapidamente se focou no valor e suas implicações fiscais e no negócio para terceiros. A Propriedade/proprietário foi de todo abandonada como centro da discussão sendo apenas um meio para atingir fins (colecta de impostos e mais valias de negócios).
No Painel II quer a CAP quer a AFN demonstraram já algumas das vantagens para o proprietário mas a discussão ficou mais marcada pelas posições dos representantes dos maiores beneficiários do cadastro -a EDP, a REN e a Industria Papeleira. Apontaram todas as dificuldades que todos conhecemos, as enormes vantagens (para eles) das mesmas serem resolvidas, mas nem uma palavra para o contributo que poderiam dar para essa resolução. Deixo apenas uma ideia: Se parte dos impostos pagos por estas empresas fossem para os concelhos onde é criada parte da riqueza (onde estão as barragens, os eucaliptais, as Linhas de AT) seria mais fácil a colaboração das autarquias na realização do cadastro. (cont)