quinta-feira, 27 de março de 2008

Será que acabou...

Em menos dias dos que levou a ser apresentada a queixa, a escola decidiu. Tal como tinha escrito aqui, a aluna (e o realizador amador) vai continuar a ser aluna noutra escola e a professora a dar aulas, já na próxima 2ª feira. Como referi o problema não é resolvido, apenas "transferido". Mas, independentemente do tipo de actuação este é sempre um problema sem solução fácil. As penas agora propostas não impedem que volte acontecer o mesmo, porque não atacam as causas. E atacar as causas não caberá à Escola mas a todo nós (enquanto comunidade escolar). Aguardemos a posição da DREN (se bem que as anteriores não tenham sido brilhantes), aguardemos que o MP mude de ideias e não avance com o ridículo inquérito, aguardemos que este não seja o final de um incidente que nos obriga a pensar de forma abrangente.
P.S. - "a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música"?!? Será que era uma aula de subtituição, com as quais os professores não concordam, e estavam só a passar o tempo? Mais uma vez parece que este caso é muito mais transvessal do que cada coorperação (governo, pais, alunos professores e escolas) querem fazer passar.

terça-feira, 25 de março de 2008

Curtas

No público de hoje:
Questionada sobre se as escolas estavam em condições de preparar o final do ano lectivo, fazer os exames e realizar a avaliação dos professores, a ministra relembrou que são "muito poucos" os docentes que precisam de ser avaliados este ano lectivo.
"São apenas os contratados e os que estão para progredir na carreira. Em média, são um ou dois por escola. É uma carga de trabalho perfeitamente aceitável", sublinhou.


Se são muito poucos, porquê tanta pressa?
Se não são muito poucos, porquê mentir?

...
Também no público:
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas.


Se são exteriores, quem abriu a porta?
Se a escola tem mecanismos porque não os usou/usa?

...
O PSD continua no seu melhor.
Em conferência de imprensa, na sede do PSD, em Lisboa, Luís Filipe Menezes declarou: "Nós vimos um modelo completamente inovador para acabar com uma querela que há anos existe na sociedade portuguesa. Falo dos horários do comércio e da sua regulamentação". "Propomos que a definição dos horários e do funcionamento das actividades comerciais seja transferida para competência municipal. Cada município, cada cidade deve decidir por si quais as regras do jogo", acrescentou.


É cada um por si e todos pelas Câmaras, LFM ainda é, e actua como tal, presidente de uma câmara e que maior prazer poderia ter que não fosse uma estimulante competitividade com o Porto (onde os Hipermercados têm, p.ex., parque pago, ao contrario dos de Matosinhos, Maia, Gondomar e ... Gaia). E já agora "nós vimos"? Estará com visões?

...
Serviço público na RTP ?
Microsoft é a melhor empresa para se trabalhar
A Microsoft ganhou os dois rankings deste ano que elegem a melhor empresa portuguesa para se trabalhar.
A jornalista Ana Martins foi saber por que razão foi escolhida uma empresa que não é sequer a que paga os melhores ordenados.


Mas o que é que o ordenado tem a ver com o ser o melhor local de trabalho. O trabalho de Mineiro até podia ser o mais bem pago do mundo que dificilmente alguém o ia eleger as Minas da Panasqueira como Melhor Empresa Portuguesa. Lá estamos nós, na televisão pública, a fazer apanágio daquilo que foi a luta sindical nestes 30 anos. Melhores salários, melhores salários que as condições de trabalho são pormenores.

Educação e Civismo

O Vídeo de um incidente numa aula no Porto, envolvendo uma aluna uma professora e um telemóvel, tem originado múltiplos comentários. Aqui fica mais um.
Antes da minha opinião gostaria de falar dos muitos comentários, sobretudo nos jornais on-line. Culpou-se o governo/Ministra , os pais, os alunos, os professores e a escola. Infelizmente o PSD foi atrás da 1ª hipótese, o Governo de nenhuma delas (a culpa é, como se sabe, solteira, quer em vida quer na morte). Pessoalmente acho que é da falta de Civismo.
Não é do governo, pois estes incidentes já aconteciam antes desta Ministra e vão voltar a acontecer. Não há lei que altere esta situação específica nem outras situações de violência que se conhecem.
Não é dos pais, porque por muito que façamos em termos da educação dos nossos filhos, e neste aspecto creio que tenho feito tudo o que posso, nunca poderemos garantir que eles não façam asneiras. E ver irmãos a terem comportamentos tão diferentes é testemunho diário disso mesmo.
Não é da aluna, porque aquele comportamento só pode ser resultado de múltiplos factores e não apenas de um (mau) "humor".
Não é dos professores, que não têm meios para enfrentar este tipo de situações.
Não é da escola, porque esta é apenas um peça do puzzle da educação e, tal como os anteriores agentes, não podem resolver nada sozinhos.
Mas não sendo de nenhum em particular é de todos, E sendo de todos é do País.
O Governo criou um ambiente de guerrilha na educação. Acusou os professores de absentismo, logo no início da legislatura, e de falta de profissionalismo, para justificar algumas medidas. Acusou os alunos de laxismo para justificar outras.
Os pais são, esses sim, “ausentes” militantes, participando muito pouco na vida da escola (nos últimos três anos fui representante dos pais e o máximo que consegui foi reunir 3 pais, numa turma de 15 alunos, nas 9 reuniões que já convoquei).
Os alunos encaram, na sua maioria, a escola como uma obrigação (o que até certo ponto é verdade) e não vêem interesse na maioria das disciplinas.
Os professores manifestam-se quando as alterações legais interferem nos seus salários, independentemente da justeza de algumas das suas reenvidicações, e esquecem-se que também são pais e cidadãos e pouco opinam sobre o estatuto do aluno ou o fecho das escolas entre outros temas que, relacionados com a educação, influenciam o ambiente na escola.
Esta não consegue se posicionar no sistema educativo, com direcções compostas maioritariamente por professores, defendendo causas de classe. Basta pensar o modo como as aulas de substituição foram tratadas, focalizando-se as críticas (negativas) na falta de disponibilidade dos professores, de espaços, etc, e esquecendo as vantagens ou procurando aproveitar esses períodos para, por exemplo, estabelecer pontes de comunicação com os alunos.
Perante este cenário de culpas e desculpas podemos pensar que a solução passa por todos estes agentes ou por nenhum.
Não ouvi nem li nenhuma opinião que, de forma eficaz, apresentasse uma solução legislativa para o problema. Como bem disse a Ministra, o Código da Estrada não impede os acidentes. Nem o da Estrada nem nenhum outro. Os acidentes evitam-se com maior civismo. E se o Civismo não é estabelecido por decreto é sempre possível fazer mais para o promover.
Os pais, como já referi, sendo os principais actores da educação dos seus filhos, estão sempre presos à sua própria educação e à da sociedade em que vivem. E nestas falta muito civismo. Mas se não forem os pais a reconhecer a sua falta de civismo (patente diariamente no modo como conduzimos) ninguém o pode fazer por eles.
Os alunos têm que perceber que além de direitos também têm deveres, mas esta realidade é uma das bases do civismo que não conhecem.
Os professores devem analisar a sua vocação e reconhecer que muitos o são porque não tiveram outra saída. E sendo esta a única saída, profissionalizarem-se. É uma questão de civismo.
As escolas também se devem profissionalizar. Um bom professor não é obrigatoriamente um bom gestor. Tal como foi feito há anos atrás com os hospitais a existência de gestores escolares não será má ideia de todo. (a 1º vez que a ouvi foi a Marques Mendes numa conferência aqui em Coimbra).
Muito passa, pois, pelo civismo. E se este não se decreta. É algo que se adquire ao longo de uma vida e se vai transmitindo. Como é que um pai que fala no carro ao telemóvel sem kit mãos livres, alegando, no seu carro de 30 000 €, que são caros, pode dizer aos filhos para não usarem o seu (tlm) onde não devem? E estes que na televisão vêem os seus ídolos a usar os telemóveis e a insultar os professores, compreenderão o que é novela e que é realidade? E como é que um professor que no dia anterior gritava impropérios à "Milu" pode ser tratado com respeito (o direito à manifestação não é um direito ao insulto )? E o presidente do Conselho Directivo que me diz que não fumar no espaço da escola é só por alguns porque eu não devo estar à espera de que um professor vá fumar para a porta da Escola, poderá punir os alunos que o fazem? E a Ministra que diz que está pronta para negociar desde que isso não implique alterar a sua posição, como explica aos alunos o conceito de sensatez?
Sem civismo a alternativa é o autoritarismo. Multar, autuar, prender se for o caso (e qualquer uma destas opções foi referida nos muitos comentários ao vídeo) é fácil é barato e dá milhões, mas não previne acidentes e não evita incidentes como este. Esta aluna (mesmo se multada e transferida de escola), estes pais (mesmo se autuados), esta professora (memo se com uma nota má na avaliação) esta escola (mesmo com outra direcção) e este Governo (mesmo que com outra Ministra) vão continuar a ser o que são: aluna noutra escola, pais noutro concelho, professor no novo ano, escola de outros alunos e Governo com a mesma politica.
É a falta de Civismo que grassa por aí que leva a:
Condutores a falar ao telemóvel ou a estacionar em passeios;
Peões a atravessar fora da passadeira;
Ambulâncias a atravessar passagens de nível fechadas;
Agricultores a fazer queimadas em pleno Verão;
Comissões de Festa a lançar foguetes na mesma época;
Pessoas a deitarem lixo para onde não devem;
Miúdos a pintar paredes e sinais de trânsito;
Fumadores em elevadores;
Donos a passear os cães sem trela; etc etc.
Nenhuma lei, impede isto de acontecer. Somos todos nós que temos de mudar e dar o exemplo.

sábado, 15 de março de 2008

Tiros no Pé

Esta primeira quinzena de Março caracterizou-se por um conjunto de tiros nos pés de algumas das minhas mais queridas causas. A AAC-OAF, o PSD e Sistema de Mobilidade do Mondego (vulgo Metro Mondego).
Na 2ª Feira passado o meu amigo Maló de Abreu desistiu da sua candidatura à Briosa. Tinha estado com ele na semana anterior e o seu entusiasmo era evidente. As perspectivas eram boas. Se tínhamos perdido à quatro anos por quatrocentos votos, esses academistas eram recuperáveis perante a errática gestão do futebol. Iniciamos todos os campeonatos com um orçamento digno de candidatos à Europa e acabamos invariavelmente a lutar para não descer. Outros com orçamentos inferiores ficam à nossa frente , não me lembro que algum com orçamento superior tenha ficado atrás da Académica (eventualmente o Guimarães no ano em que desceu, mas recuperou depressa e bem). Não seguramos treinadores quando isso é sinónimo de estabilidade e esta sinónimo de resultados. Os bons jogadores saem sem se ver uma compensação económica ou futebolística válida. E sobretudo a falta de uma linha condutora que se entenda - não posso esquecer do Zé Eduardo a dizer-me que com ele iam acabar os empréstimos por que era mau para a equipa, hoje é Ivanildo, Luís Aguiar, Edgar e foi Hélder Barbosa. Não ponho em causa (porque não sou especialista) uma ou outra opção, apenas que se não tenha uma estratégia clara. Na situação actual, sem candidatos alternativos, este cenário vai-se manter. Por isto tudo a desistência do Maló foi um Tiro no Pé.
No mesmo dia a CMCoimbra votou a suspensão da análise da alteração do traçado na Solum até uma definição clara pelo governo. Dito assim a decisão é boa. Enquanto não estiver escrito que a linha vai ser electrificada, na proposta ainda válida, apresentada em Março de 2006, ainda está a hipótese Diesel e uma mudança de “boogies” – as rodas – das actuais automotoras para circularem num “novo” traçado com nova bitola. Infelizmente a decisão foi tomada na presença de um conjunto de cidadãos que protestavam com a referida alteração e o que saiu para fora foi um chumbo sob pressão. Bastava ter dito que era extemporânea a discussão do traçado e não ter votado. Ou votado apenas a exigência de uma definição pelo governo nas questões essenciais atrás referidas. Mas não, falou-se de politica, o PSD ficou dum lado o PS do outro, e no final ficou a ideia de que esta Câmara não quer o Metro. E o Governo não deixará de aproveitar este facto. Por tudo isto a Câmara (accionista da MM) deu um Tiro no Pé.
Finalmente não foi apenas na 2ª feira que o PSD deu tiros nos pés. Perante uma alteração aos regulamentos internos, com coisas boas e coisa más, uma das reservas de seriedade do partido, Rui Rio, fala de lavagem de dinheiro (1º tiro). Ribau Esteves (de metralhadora em punho) responde com uma chamada ao CJN e fala de multas de milhares de euros, aparentemente culpa de dirigentes de outro partido e nomeados por alguma direcção não eleita (apenas demonstra coerência com o discurso do presidente do partido quando este, sobre o mesmo tema da multa, disse que ela não era do “seu PSD”). Mendes Bota chama Cavalgadura a Pacheco Pereira, Capucho diz que quem muda a cor ao partido (o que não aconteceu) não fica um dia na liderança, etc, etc. Foi uma semana inteira de Tiros no Pé.
Seriamente feridos o PSD, a Metro e a AAC, vão continuar sob os cuidados de Luís Felipe Menezes, dos políticos e de Zé Eduardo Simões. O tratamento será longo e penoso.