As comemorações dos 40 anos do 25 de Abril (faltam apenas 3 meses) deviam ter uma importância e dignidade que dificilmente vão ter num período de atitudes extremas como o que agora vivemos.
O reconhecimento desta importância, para todos nós, ser feita através de Salgueiro Maia parece-me bem, digno e a todos títulos justo.
O 25 de Abril tem em Otelo o seu expoente máximo em termos estratégicos, políticos e militares. Mas Otelo, pelo seu percurso pós Abril não é uma figura consensual.
Já Salgueiro Maia, porque por um lado foi quase o herói acidental (estava no local errado à hora certa), poque por outro soube, como ninguém, tornar o acidental em fulcral e ainda porque ao deixar-nos cedo demais, não entrou nestas querelas direita/esquerda de forma tão evidente e apaixonada que hoje dividem, estupidamente, o país.
Por isso a transladação do corpo de Salgueiro Maia para o panteão seria algo que poderia unir os portugueses à volta do mais importante acontecimento nacional dos últimos 100 anos.
Carlos Beato ao vir criticar a posição do PSD, que por acaso é igual à de Jorge Sampaio, só vem destruir esse consenso possível.