quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Nem tanto à terra nem tanto ao mar.

Todos falam de redução do défice, só que todos dizem "mas não aqui". Seja "aqui" a Fundação, a Câmara, o Instituto, a Estrada/auto-estrada, etc, a que, quem fala, está ligado. Assim se vê que sempre é verdade que "vivemos acima das nossas possibilidades", porque o estado somos nós todos. Os que dizemos "aqui não".
Existem algumas gorduras, como pareceres e mordomias, que ainda faltam cortar, mas isso são algumas dezenas de milhões de euros ano. É fundamental cortar, mas não tem efeito no défice. E nas PPP's podemos cortar nos juros mas não podemos deixar de pagar uma obra que pedimos para fazer. E aí a diferença não é de centenas de milhões (o custo) mas dezenas de milhões (diferença entre um juro excessivo e um juro aceitável).
Não cortando na despesa com pessoas (e mesmo as fundações, as Câmaras e os seus institutos, as empresas que fazem as obras públicas, todas elas empregam pessoas), e só podendo cortar, pouco, nas gorduras e nas PPP's, resta cortar na dívida. Restruturando-a ou fazendo privatizações.
Daniel Oliveira escreve hoje no Expresso On-line sobre a primeira destas opções concluindo que não sabe ao certo as consequências "Numa primeira fase, até pode vir a exigir sacrifícios maiores do que os atuais", mas acreditando que é melhor que a opção do governo - pagar.
Tenho dúvidas sobre a solução, mas uma moratória de juros parece inevitável para não cairmos incumprimento, sendo certo que só um ou dois anos a mostrar que fazendo tudo (e mais alguma coisa) que nos foi pedido é que podemos pedir essa moratória.


Era é necessário que a nossa classe política, começando naturalmente no Governo, falasse verdade e não, como é comum, se limitasse a lançar poeira para os olhos. Que faz quando diz que a solução é "só" cortar aqui ou ali, que o problema é "só" este ou aquele. No caso dos partidos que assinaram o pacto (excluindo os esquecidos dentro do PS)  é cortar nas gorduras. No caso da esquerda é na dívida. Nenhuma das soluções é suficiente per si. No primeiro caso porque não chega, ou, para chegar, seria necessário cortar onde, cortando tudo em apenas 3 anos, o efeito será devastador em termos de desemprego, consumo interno e qualidade de vida da população. No segundo caso, não se fazendo nenhum corte na despesa, que não dívida, iríamos continuar a ter défices, e a pedir mais dinheiro (se o emprestassem) e, tal como aconteceu já duas vezes (à primeira todos caem. 3 vezes é demais), voltarmos que ter de pedir ajuda externa.