quinta-feira, 17 de abril de 2008

Laranja sobre Azul

"Defendo um partido distendido e aberto em que cada um deve dizer o que pensa. Um partido aberto, distendido, onde tudo se possa dizer - bom, e depois existe quem manda, quem lidera. Todos esses ruídos parasitas de fundo desaparecem quando a liderança se afirma. Se daqui a um ano existir esse ruído de fundo é porque eu não fui capaz de me afirmar".

Estas declarações de LF Menezes em Outubro passado, menos de um mês depois de ser eleito, eram premonitórias. Não foi necessário um ano. O ruído foi tanto que o reconhecimento da falha (na afirmação) teve que ser antecipado. Convocou primárias (pelo menos aparentemente e sem certezas se não será candidato).

Mas porquê todo este ruído? Qual a razão de toda esta contestação?

Já aqui referi alguns tiros no pé e a paupérrima "entourage" de LFM, mas existem mais.
- A negação do passado recente do partido referindo-se, no caso Somague, a "esse não é o meu PSD"
- A alteração do sistema de quotas e direito de voto que mereceu críticas de todos os ex-secretários gerais.
- O ataque a uma jornalista ligada ao PS com acusações e vocabulário completamente inadequadas.
- Proposta em zig-zag sobre impostos, modelo constitucional, justiça, etc, etc.
- O andar a reboque das agendas televisivas, falando sobre temas (muito) menores e esquecendo o essencial.
- A liderança parlamentar de PSL preocupada em vingar o tratamento injusto (ou não) a que foi sujeito - apenas nos últimos debates se virou para a crítica objectiva e com resultados bem simpáticos.
- A mudança da imagem, que não critico em absoluto, mas que foi feita na altura errada (poderia ser interessante no lançamento da campanha eleitoral).
- Os ataques aos ditos barões, como se estes não fossem militantes como os outros, que atingiram níveis persecutórios em relação a Capucho e Rui Rio.
- E sendo estes (Capucho e Rio) autarcas, anuncia que deverão ser as bases a escolher os candidatos mas, ao mesmo tempo, retira confiança a quem não o apoia.

Perante todo o ruído causado por estes e outros tristes episódios, quer dentro do PSD quer no exterior, parece pois natural a declaração de hoje de LFM.

Para mim, e para outros como eu, pouco mudou contudo.

É que desde de 16 de Julho (dia da convocação das anteriores primárias) que defendo a candidatura de JP Aguiar Branco. Candidatura que se tornou impossível à data por manifesta falta de tempo (Marques Mendes ao convocar as eleições para 2 meses depois, com Agosto pelo meio, tentou evitar um desaire, mas fechou a porta a novas candidaturas, pelo que só o anterior candidato LFM tinha estrutura montada).

Menezes, tal como Mendes, diz que falhou, mas, tal como Mendes, é bem capaz de se recandidatar.

Por isso a batalha é a mesma - conquistar o Partido para conquistar o País - com um discurso realista, pragmático e, sobretudo, social-democrata.

Lendo a entrevista de hoje à Visão, JPAB confirma ter estes ideais bem definidos.



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