sexta-feira, 23 de maio de 2008

A meio do túnel.

A uma semana das eleições no PSD, o caminho para sair do túnel não está, ainda, totalmente percorrido. Mas existem avanços.
Em primeiro lugar dois dos candidatos apresentam ideias e discutem-as. Quer Pedro Passos Coelho quer Manuela Ferreira Leite estão nesta contenda com um programa, mais liberal o de PPC mais social democrata o de MFL. Santana Lopes continua agarrado ao passado e à necessidade de demonstrar que se tivesse ficado no governo, se isto se aquilo, tudo seria diferente. Sinceramente é cansativo (então a questão do PPD/PSD é desesperante) porque não nos leva a lado nenhum. Parece-me claro que PSL perdeu as eleições não pelas ditas trapalhadas (o que Henrique Chaves disse, comparado com as afirmações de Campos e Cunha, é uma brincadeira de crianças, p.ex) mas porque, como o próprio já reconheceu, tendo falta de legitimidade nada lhe era perdoado e tudo potenciado. Mas, apesar de alguma injustiça, o problema é que PSL não sobe evitar a estigma de trapalhão e assim não atraia o eleitorado necessário à vitória em 2009.
PPC, pelo seu lado não me convence. Em termos políticos apresenta um discurso, na área económica, demasiado liberal, quer para dentro - somos um partido social-democrata - quer para fora - o país precisa de maiores preocupações sociais e menos "laissez faire laissez passer". Em termos não económicos creio que a posição sobre o "aborto" é paradigma das suas ideias. Mudou de opinião porque após o primeiro referendo nada se fez para resolver o problema. Mas na última década (o 1º referendo faz 10 anos em Junho) o Governo foi PS durante 8 anos e não era expectável que fosse legislar a favor daquilo que não defendia. É para lutarmos por aquilo que acreditamos que aqui andamos, e é para isso que espero ver o PSD de novo no governo.
MFL tem apresentado um projecto social-democrata, procurando equilibrios entre as preocupações sociais (que custam dinheiro) e os problemas económico-financeiros (que passam pela redução da despesa). Mas tem tido um problema, a forma de passar a mensagem. O melhor momento que lhe vi foi na SIC Notícias, e esta não chega a todo lado. As bases poderão ter falta de informação e isso pode ser fatal.
Finalmente uma nota de receio. Não são poucos os militantes que vejo a apoiarem X, Y ou Z, por razões meramente circunstaciais de interesse pessoal - se A está com X eu tenho que estar com Z para o poder derrotar depois, ou, pior, tenho que estar com Y porque senão B (que é quem manda no burgo) não me concede os apoios que necessito ou tira-me os que já tenho.
Este tipo de calculismo não só retira verdade aos resultados como compromete, por falta de seriedade e legitimidade, as candidaturas em 2009 (nacionais e locais).



----------------
Now playing: Hoobastank - The Reason
via FoxyTunes

Sem comentários: