Gosto da expressão "vou festejar o 25 de Abril na rua com quem o fez".
Há 25 anos que passo o 25 Abril com um capitão de Abril. Todos os 25 de Abril (salvo rara excepções como amanhã em que o 25 será a 28) converso com ele sobre o antes, o durante, o depois e o agora.
O antes para perceber as razões.
O durante (o mais apaixonante) sobre os pormenores do dia (como o de tirar os percutores às armas de uma companhia que se receava não aderir ao movimento).
O depois e o agora para (ao longo destes 25 anos) perceber como um companheiro de armas de Otelo vê os resultados da revolução.
Ao longo destes 25 anos fui percebendo que, enquanto eu jovem que foi ficando menos jovem e que fácilmente leva com o adjectivo "de direita", defendo o 25 de Abril, ele, Capitão de Abril, que correu o risco, que me deu a Liberdade, que me deu a esperança, foi-se afastando, desiludido com o resultado da revolução que fez.
Não festejo o 25 Abril com quem o fez, porque quem o fez não o quer comemorar.
Ironias...
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